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67ª Caravana da Anistia homenageia mulheres e recebe pedidos de anistia política

A 67ª Caravana da Anistia homenageou mulheres vítimas da ditadura no último 8 de Março em sessão realizada no Ministério da Justiça, em Brasília. Foram julgados sete processos de mulheres que sofreram perseguição e tortura nos anos de chumbo. Em um ato inédito também foram entregues pedidos de anistia política das camponesas de Minas Gerais Cipriana da Cruz Rodrigues, Maria Aparecida Rodrigues e Miranda e Júlio Rodrigues de Miranda (pos mortem). A FLD esteve representada pelo Presidente do Conselho Deliberativo, Mathias Alberto Möller. Ele destacou a fala de abertura, da Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que ressaltou a importância da Comissão de Anistia tanto para a consolidação do Estado democrático de direito quanto para a composição de um lugar de fala das vítimas de modo a tornar públicas suas histórias. Eleonora também foi presa e sofreu com os atos de exceção cometidos pelo Estado. 

Möller destacou também a fala do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Para ele, anistia é pedir perdão diante de um Brasil que viu ministros da Justiça se calarem. Ser hoje Ministro e pedir desculpas em nome do Estado, o emocionou," disse. 

Em um ato simbólico também foram homenageadas as anistiadas Yara Falcon, Jessie Jane, Lilia Godim, Maria Auxiliadora Arantes e Darcy Andozia. Möller  ressaltou o testemunho de Jessie Jane: "ela reforçou que a Comissão é um espaço de produção de identidade, de reparação e reconhecimento, para a construção de uma identidade coletiva dos que lutaram e podem continuar lutando".  Jesse Jane ficou presa por nove anos e teve uma filha na prisão, que foi retirada aos três meses de vida. 

Darcy Andozia também foi homenageada. Ela trabalhava para o movimento dos padres dominicanos utilizando o método Paulo Freire de alfabetização. Ela foi presa em São Paulo em 1974 e seu filho, Carlos Alexandre, sofreu tortura com um ano e oito meses de idade e cometeu suicídio nesse mês de fevereiro. Darcy e o filho foram anistiados há quatro anos.

Nessa edição, a Caravana julgou sete processos de perseguição durante a ditadura de: Thereza Sales Escame; Roseli Fátima Senise Lacreta; Monica Tolipan; Maria de Lourdes Toledo Nanci; Maria Déia Vieira; Lélea Amaral e Maria Oneide Costa Lima. 

Fonte: FLD com agências

Foto Antonio Cruz/ABr: Ministério da Justiça promove a 67ª Caravana da Anistia em homenagem às mulheres