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Arte que faz barulho muda comunidade de Senador Camará no Rio de Janeiro

“São iniciativas como esta que fazem a diferença”, afirmou o bispo da Igreja Evangélica Luterana na Bavária (Alemanha), Dr. Heinrich Bedford-Strohm, após visitar o Arte em Conjunto, em Senador Camará, periferia do Rio de Janeiro (RJ). A visita aconteceu no dia 21, durante a Cúpula dos Povos, e foi organizada pela FLD, que apoia o projeto.

Bedford esteve acompanhado por uma delegação de representantes de igrejas alemãs e do parceiro institucional da FLD, o Serviço de Desenvolvimento das Igrejas Evangélicas na Alemanha (sigla em alemão EED), e por integrantes da equipe da FLD.

Os visitantes foram recebido por crianças, adolescentes e jovens, que participam das atividades do Arte em Conjunto e de outras organizações de comunidades próximas, como o grupo “Pequenos Samurais”, que trabalha toda a questão da disciplina. “O Arte em Conjunto é uma iniciativa construída a partir da reflexão e das expectativas das e dos moradores, sustentado, portanto, na mobilização comunitária”, afirmou a assessora de projetos da FLD, Marilu Nörnberg Menezes. “A partir do projeto surgiu uma Rede de Cultura reunindo diferentes grupos de arte-educação que atuam na região.”

Senador Camará já foi um dos lugares mais violentos da cidade do Rio de Janeiro. Conforme o coordenador do projeto, Mário (Mariozinho) Luiz Gomes, em 2006 a comunidade ocupava o primeiro lugar em queima de ônibus, tinha o maior índice de roubo de carros e a principal escola havia sido furtada 15 vezes em menos de um ano. Duas das maiores facções criminosas disputavam o território para a venda de drogas. Os moradores viviam uma realidade de medo, tensão e de silêncio.

“O que nos motivou a fazer algo foi a possibilidade de interferir naquela realidade, provocar os 12 mil moradores”, contou Mariozinho. A primeira conquista trazer para Senador Camará o projeto Mutirão de Grafite, que era realizado em comunidades do Rio de Janeiro.

Com a ajuda de amigos, organizou-se um grupo coordenador para promover “O dia em que a arte fez mais barulho”, que depois se chamaria Arte em Conjunto. O movimento foi crescendo e trazendo resultados: “passamos a nos comunicar com a comunidade através de ações culturais”.

O Arte em Conjunto trabalha hoje com 20 jovens multiplicadores, depois de já ter atendido também crianças. “Muitas cresceram e seguiram adiante”, relatou Mariozinho.

O depoimento das gêmeas Dayana e Dayane Main, 22 anos, do parceiro Centro Cultural Caixa de Surpresa da Vila Aliança, mostra um pouco a dimensão dos resultados do trabalho. As irmãs participam do projeto desde os 11 anos e se apaixonaram pela dança. Alunas do curso de geografia, trabalham para contribuir com a família. “Sabemos que é difícil, mas sonhamos em viver da nossa arte.” Para quem enfrenta tantos obstáculos, quem sabe?