FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Bem Viver na Criação deve ser um movimento de todos e de todas

O seminário "O Bem Viver na Criação de Deus", promovido pelo Conselho de Missão entre Indígenas (COMIN), foi realizado nos dias 21 e 22, em São Leopoldo (RS), reunindo um público de cerca de 50 pessoas.

Pela comemoração dos 30 anos da entidade, a saudação inicial foi feita por um dos membros do primeiro conselho, o pastor sinodal do Sínodo Rio dos Sinos, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Edson Edílio Streck. O secretário de Missão da IECLB, pastor Mauro Schwalm, também falou aos presentes. Os dois pastores, assim como o reitor da Faculdades EST, Dr. Oneide Bobsin, e o secretário executivo da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Carlos Gilberto Bock, trouxeram aportes históricos e pessoais de como o tema do Bem Viver os impacta.

Pela manhã, sob a coordenação da obreira voluntária e professora de Antropologia na Universidade Federal de Pelotas, Dra. Lori Altmann, o seminário trouxe uma reflexão indígena sobre a temática através de Lúcio Paiva Flores, do povo Terena. Ele traçou um arco desde a aldeia indígena até o nível global e planetário dos desafios de sobrevivência para a humanidade.

Dra. Ivoni Richter Reimer aportou um enfoque bíblico e teológico ao tema, trazendo à lembrança diversas tradições do Antigo e do Novo Testamentos. Desde muito tempo, há pessoas e grupos ocupando-se desse assunto. É preciso resistir à desesperança e seguir apostando em pequenos passos e em pequenas vitórias. 

Encerrando as colocações da manhã, Dr. Carlos Bock trouxe uma reflexão teológica mais sistemática sobre o tema.

À tarde, sob a coordenação da obreira do COMIN,  Jandira Keppi, foi montado um painel com as lideranças indígenas, Bruno Kaingang, Saravi Deni, Nelson Xokleng e Eva Canoé. Cada um trouxe ideias e experiências referentes ao Bem Viver em perspectivas culturais e geográficas diferenciadas entre sul e norte, entre espaço da floresta e espaço urbano.

Na manhã do dia 22 foi a vez de quatro representantes do povo Kaingang trazer a sua mensagem. À tarde, seis grupos trabalharam as impressões sobre o que ouviram, identificando as ações possíveis em âmbito individual e comunitário para viver bem na criação de Deus.

Além dos povos indígenas, é necessário ficar atento a muitos outros grupos que estão fazendo suas experiências de alternativa à economia de rapina: pequenas comunidades que tem compartilham os itens básicos mais necessários, movimentos como o slow food, uma alternativa ao fast food em meio ao ritmo acelerado de nosso mundo. Muitas pessoas pequenas em muitos lugares pequenos que dão muitos passos pequenos têm condições de mudar a face da terra.

“Constatamos que o bem viver difere de acordo com o lugar (interior, cidade) ou a cultura dentro da qual se vive. Constatamos também que o sistema de produção e consumo que depreda a natureza e contamina as relações humanas e destes com Deus é complexo e tem grande capacidade de se refazer sempre de novo. De outro lado, no horizonte do Reino de Deus, há muitas coisas que podemos fazer individualmente para desacelerar a vida, exercitar modelos de suficiência em contraposição à propaganda do crescimento.”

Fonte: COMIN/Ingelore Koch


Foto: Ingelore Koch