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É preciso lançar sementes de uma nova sociedade para sobreviver à crise

As razões para o apoio a projetos sociais no Brasil mudaram ao longo dos anos: entre 1960 e 1978, o objetivo foi “modernizar” o país; de 1979 a 1993, buscava-se a conscientização e transformação social; de 1993 a 2003, promover a geração de renda; e de 2003 até hoje, o objetivo é o combate à pobreza. As mudanças acompanharam de perto os projetos econômicos: a socialdemocracia existente até 1989, o liberalismo desvairado, de 1990 a 1993, o liberalismo financeiro, de 1994 a 2002, o liberal-populismo, de 2003 a 2010, e o capitalismo exportador de bens, de 2011 até agora.As informações acima foram trazidas pelo sociólogo e doutor em Sociologia e Ciência Política, Emil Albert Sobottka, na sua fala sobre Desafios para o engajamento social na atualidade, realizada no dia 22 de março, na Assembleia da FLD.  A proposta foi de refletir, junto com os conselheiros e as conselheiras e a equipe da FLD sobre o papel das pessoas e das organizações na construção de uma nova sociedade.  Ao trazer números e questionar os resultados das políticas de combate à pobreza, a destinação de recursos vindos dos impostos, as perspectivas dos trabalhadores em termos de aposentadoria, o sucateamento da educação, Sobottka apontou a enorme – e crescente – distância entre os muito ricos e os muito pobres no País. “É bom lembrar que a tradicional lista da Forbes inclui brasileiros, que são bilionários”, lembrou.

As previsões de futuro não são animadoras e a perspectiva de uma grande crise exige mobilização. Se a crise vier e não se tiver iniciado a construção de uma nova sociedade, com um novo modelo, não vai sobrar nada. A responsabilidade é nossa. “Além de sermos um pouco sal e luz no mundo, precisamos construir pedacinhos de uma realidade mais justa e mais inclusiva”, afirmou Sobottka. Os valores que orientam o nosso agir no mundo não são diferentes do que aqueles valores que temos como pessoas, em relação aos outros. “Se olharmos para a história, vamos encontrar pequenos grupos de pessoas que sonharam uma sociedade diferente. É assim que vejo o trabalho da FLD, como algo que está lançando sementes, que devem ser fortalecidas para resistirem à crise. Quem atua de forma participativa e comunitária, pensando nas outras pessoas, vai ganhar a própria vida.”