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I Encontro da Rede de Comércio Justo e Solidário discute relações de gênero

Uma diversidade de lugares e experiências marcou o I Encontro da Rede de Comércio Justo e Solidário, promovido pela FLD no dia 12, em Porto Alegre (RS): cerca de 60 mulheres de diferentes grupos e cidades participaram das conversas e discussões sobre Relações de Gênero e Economia Solidária. A maioria dos empreendimentos da Economia Solidária que estava presente, nas áreas de confecção, artesanato, alimentação e prestação de serviço, integra a Rede de Comércio Justo e Solidário da FLD.

“O tema interessa muito para nós, ainda que, na experiência indígena, tenha que ser pensado e colocado em um contexto cultural diferente”, afirmou a educadora do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin), Janaína Hübner, que trabalha com mulheres artesãs Xokleng, na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ (SC). “Mas as mulheres querem saber mais e também conhecer o que está sendo discutido por outras mulheres”.

Orquelita Gonçalves Siqueira veio de Manoel Viana, município localizado na fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Ela foi convidada através do Projeto Pampa, desenvolvido pela FLD naquela região – que tem como um dos seus objetivos a sustentabilidade da população local através do uso sustentável da riqueza natural e do resgate das características culturais locais –. Orquelita participa de um grupo de artesãs que utilizam lã de ovelha e porongos, matéria prima característica local.

Para a coordenadora da Oficina de Paramentos, Karen Cristina Grundzins, de São Paulo (SP), o convite para participar do encontro em Porto Alegre foi um reconhecimento. “Ficamos contentes ao saber que nosso trabalho ganha cada vez mais visibilidade”, afirmou. A oficina de Paramentos é uma das atividades do Centro Social Sal da Terra, localizado na periferia da zona sul da cidade, e é vinculada à Comunidade de  Vila Campo Grande, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). As mulheres produzem paramentos para altares e púlpitos de igrejas e panôs de parede, entre outros.

Integrantes do grupo da grife Flores Negras também estiveram presentes, junto com técnicas do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa). A grife, lançada em julho de 2013, é especializada em roupas com inspiração afro – em cores, grafismos e modelagem – inclui mulheres de cinco comunidades quilombolas de São Lourenço do Sul, Pelotas e Canguçu, assessoradas pelo Capa: Rincão das Almas, Torrão, Moçambique, Cerro das Velhas e Algodão. O Capa Santa Cruz do Sul trouxe mulheres agricultoras do Grupo Ecovida, de Venâncio Aires (RS). Elas cultivam verduras para  feira e participam da cooperativa Ecovale, onde vendem açúcar mascavo, melado, schimier colonial, mel e feijão, entre outros.

O tema do seminário, apresentado pela assessora Marilane Oliveira Teixeira, economista e especialista em gênero e relações de trabalho, foi uma demanda das mulheres dos empreendimentos que integram a Rede de Comércio Justo. Ainda, a inciativa é uma das ações do Março Lilás da FLD, pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março,.