FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Momento de celebração marcou encontro de catadores/as gaúchos/as

Na manhã do dia 18 de outubro, o auditório central da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) aos poucos foi se enchendo de catadores e catadoras, vindos/as de todos os cantos do Rio Grande do Sul. O objetivo foi a realização do Encontro Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR/RS) para celebrar conquistas e reafirmar suas bandeiras de luta.

Na oportunidade, foram entregues cinco caminhões e foi feito o repasse simbólico das chaves de outros 11, adquiridos por meio do projeto Cataforte II – Logística Solidária. Cinco atenderão a Rede Cooarlas (Cooperativa de Reciclagem Amigos Solidários de Canoas), cinco vão atender a Rede Coomcat (Cooperativa dos Catadores e Recicladores de Santa Cruz do Sul e região), cinco, a Rede Cootracar (Cooperativa de Catadores e Carroceiros de Materiais Recicláveis e Industrialização e Comercialização de Gravataí e região) e um, a Rede Uniciclar (Cooperativa de Recicladores e Catadores do Município de São Leopoldo). Cada rede é composta por diversas cooperativas.

Ainda, representantes de cerca de mil catadores/as receberam os diplomas pela participação e conclusão do curso de formação do Projeto Cataforte II.

A mesa de abertura foi composta pelas lideranças do MNCR/RS, Alex Cardoso e Maria Tujira da Silva Cardoso, o presidente da Fundação Banco do Brasil (FBB), Jorge Streidt, a representante da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), conselheira Marliza Schwingel, o representante da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Henrique Luiz Roessler,  o vice-prefeito de Santa Cruz do Sul, Luís Costa, a pró-reitora de Extensão e Relações Comunitárias da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Ana Luisa Teixeira Menezes, o representante do Fórum de Ação pela Coleta Solidária e Reciclagem em Santa Cruz do Sul, José Antonio Schimitz, e o superintendente estadual da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Gustavo de Mello.

Todos, em sua fala, comprometeram-se a manter o apoio aos catadores/as, a partir de suas organizações e entidades. “É um momento histórico para nós, pois estamos mostrando que através da organização e da luta podemos ter conquistas e melhorias em nossas vidas”, afirmou Ângela Maria Nunes, catadora há oito anos na Coomcat.

Em 2010, o Projeto Cataforte I atendeu 10.600 catadores em 17 estados brasileiros e no Distrito Federal e teve como objetivo mobilizar os catadores e estimular sua organização em cooperativas e associações, fortalecendo sua autonomia para gerir e atuar nas diferentes etapas da cadeia produtiva da reciclagem.

O projeto Cataforte II – Logística Solidária prioriza ações voltadas ao fortalecimento da infraestrutura de logística das cooperativas e associações, preferencialmente organizadas em rede, por meio da aquisição de veículos, capacitação de catadores e de lideranças, possibilitando a melhoria da capacidade operacional de coleta, transporte e comercialização. O projeto já entregou mais 70 caminhões nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Os dois projetos foram desenvolvidos pela Fundação Banco do Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego, via Secretaria Nacional de Economia Solidária – sendo que na sua segunda edição, contou também com a participação do BNDES e Petrobrás, No RS, os projetos são executados pelo MNCR/RS, com a parceria da FLD.

Oficinas

No período da tarde, foram realizadas diversas oficinas temáticas, como Logística Reversa, nova lei do Cooperativismo, Gênero, Papel dos Apoiadores, Alternativas à Incineração. “A gente precisa ter o conhecimento para poder transformar a realidade, para saber o que realmente está acontecendo, fazendo com que os companheiros falem a mesma língua e saibam dialogar com a sociedade” comentou a catadora Maria Tujira, militante do MNCR.

Logística reversa e coleta seletiva solidária

Após a Plenária Final, os catadores e catadoras tomaram as ruas de Santa Cruz do Sul para compartilhar com toda a comunidade as conquistas. Também pediram o apoio da população na implementação da Coleta Seletiva Solidária que será realizada no município pela COOMCAT. “Este projeto só foi possível de se concretizar pela mobilização social que construímos na cidade, e agora é hora de mostrar que temos como consolidar esta experiência” enfatizou Grazyela Soares de Mello, militante do MNCR e integrante da COOMCAT.

Na sequência, a caminhada dirigiu-se até a fábrica da Philip Morris do Brasil, localizada no centro da cidade. “Realizamos um ato simbólico nesta fumageira, para que ela faça uma opção de cumprir a logística reversa com os catadores. Agora com os caminhões temos estas condições” comentou o coordenador da Coomcat e militante, Fagner Antonio Jandrey.

Um protocolo de intenções foi entregue aos diretores da empresa. “Eles se mostraram sensíveis para iniciar um diálogo de contratação da cooperativa para prestar serviços” ressaltou a advogada do MNCR, Paula Garcez Correa da Silva. Segundo um dos diretores da empresa, Edson Ferreira da Silva, o protocolo será encaminhado para o setor de assuntos corporativos, para que possa ser avaliado e dado o prosseguimento a negociação.

Texto e foto: Assessoria de Comunicação MNCR/RS