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​"Elogiaram o trabalho e me orgulhei"

29-03-2017

Vera Lúcia Flores da Rosa é coordenadora geral da Cooperativa de Catadores e Recicladores (Coomcat), na cidade de Santa Cruz do Sul, no RS. Junto com outras quatro cooperativas, a Coomcat forma a Rede Catapampa, criada em 2012, que está inserida no projeto Mulher Catadora é Mulher que Luta.

Com um sorriso tímido, Vera conta sobre sua trajetória e como chegou à atividade de coleta e separação de materiais recicláveis Antes, trabalhou em período de safra, em plantações de fumo – a região é um grande polo de produtor de tabaco – e também como doméstica. No entanto, a função da qual mais se orgulha é a de catadora, que exerce há 13 anos.

“O trabalho na safra durava de dois a três meses. Depois disso, eu ficava sem sustento”, conta. “Com três filhas e um filho, dependia em tudo da minha sogra. Às vezes, fazia faxina em troca de comida”.

Nesse período, surgiu uma vaga na associação – que depois virou a cooperativa – de catadoras e catadores. “Uma sobrinha minha desistiu da vaga e me indicou. Fui para experimentar e gostei. As pessoas também gostaram”. No entanto, precisou voltar às faxinas, estava difícil sustentar-se somente com a catação.

“Ainda tinha vergonha de trabalhar como catadora. Uma vez, contei para a senhora com quem trabalhava, e ela me deu parabéns! Disse que eu estava fazendo uma tarefa muito importante. Me deu orgulho”. 

Depois de alguns meses, integrantes da associação chamaram Vera, para voltar. Desde então, ela nunca mais parou. 


O Projeto Mulher Catadora é Mulher que Luta é executado pela Fundação Luterana de Diaconia no RS, em parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e financiado pela União Europeia.