FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

O trabalho no lixão de Uruguaiana (RS)

As imagens são de Paulino Menezes realizadas em 23 de novembro de 2006 no lixão de Uruguaiana. De lá para cá, praticamente a situação continua a mesma. Em seis de junho de 2013 realizou-se no município o I Fórum de Questões Sociais traz o tema “Catando dignidade no lixão de Uruguaiana (RS)” visando encontrar soluções para a coleta seletiva e solidária e a promoção da dignidade do trabalho das e dos catadores, a partir da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A seguir o testemunho de Maria Tugira da Silva Cardoso, liderança do MNCR e integrante da Associação dos Catadores de Lixo Amigos da Natureza (Aclan). Ela trabalha como catadora no lixão há quase 30 anos junto de integrantes das 75 famílias da associação e cerca de 200 pessoas “itinerantes”, que catam por falta de emprego e buscam ali o seu sustento. 

“O trabalho, mesmo no lixão, é digno. O que é desumano e indigno são as condições nas quais trabalhamos. A gente tem um barraco para viver ali, pois não podemos deixar o material sozinho – hoje em dia, com o problema das drogas, muita coisa nossa já foi roubada. Ficamos uma semana inteira, às vezes até 15 dias, catando material. Depois que conseguimos vender, vamos para casa e ficamos por dois ou três dias. Minha casa fica a seis quilômetros. A maioria mora mais longe. A gente vai e volta de carroça, e pra também não ficar judiando o cavalo, fica mais tempo no lixão e de vez em quando vai pra casa. O lixão em Uruguaiana já trocou duas vezes de local. O atual não tem mais vida útil e o nosso destino não sabemos ao certo, quando fecharem aqui. A prefeitura também está pensando na industrialização do lixo, o que vai nos deixar numa situação de não ter mais trabalho. Precisamos de uma solução. O que queremos é promover a vida, que é a coisa mais importante, de ser respeitado e respeitada, ter conhecimento dos nossos direitos. Precisamos conquistar mais dignidade, para os catadores e catadoras e para muita outra gente.”