FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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​Como jornalistas podem transformar o jornalismo?

17-10-2016

O segundo módulo teórico do curso "O desafio da cobertura jornalística diante do uso de agrotóxicos e da mudança climática", aconteceu no dia 15 de outubro, com a análise crítica e discussão de coberturas jornalísticas. A iniciativa recebe apoio do Programa de Pequenos Projetos da FLD.

Duas palestrantes falaram à distância, a professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus Frederico Westphalen (RS), Cláudia Herte de Moraes, e a assessora de imprensa do Instituto Centro de Vida (ICV) e professora da Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT), jornalista Raíssa Genro. A jornalista Débora Gallas, que é também a coordenadora do curso, compartilhou com as/os participantes os resultados da sua dissertação de mestrado, com o foco no legado da realização das obras para a Copa 2014 em Porto Alegre, nas dimensões muito além da econômica, ambiental e social.

Em comum, as jornalistas ambientais deram ênfase à importância de o jornalismo conhecido como hegemônico, empresarial, tradicional, dominante, comercial, ouvir fontes muito além das oficiais, principalmente as fontes locais, atingidas ou afetadas pelos acontecimentos retratados nas coberturas. Segundo Cláudia, que analisou a cobertura sobre mudança climática em quatro revistas semanais, é preciso ao jornalismo "uma apuração das pautas maior e mais profunda no sentido de considerar os outros saberes existentes na coletividade". Em acordo, Débora disse que “as notícias merecem uma perspectiva crítica por parte dos jornalistas, e não a simples incorporação do jargão das fontes oficiais ou a falta da problematização de suas afirmações”. As jornalistas acreditam que este maior envolvimento com os públicos de interesse das pautas valoriza o papel social do jornalismo.

Raíssa falou de Alta Floresta, norte do Mato Grosso, onde atua há dois anos e conquista a cada trabalho a confiança dos pecuaristas e agricultores familiares parceiros dos projetos, assim como dos técnicos. “O jeito de entender o que está acontecendo é fazer um jornalismo de chão, que é estar com as pessoas no lugar onde vivem. Assim, a gente aprende a administrar o tempo do jornalismo, que é super corrido, e aprende a compreender o tempo da natureza. A gente precisa dessa complexidade para fazer com que as informações mais relevantes cheguem até as pessoas e transformem as realidades delas,” explicou.

O terceiro e último módulo teórico desta edição será no próximo sábado, 22 de outubro. O palestrante será o engenheiro agrônomo e pesquisador Sebastião Pinheiro, autor e/ou co-autor das seguintes publicações: A agricultura ecológica e a máfia dos agrotóxicos no Brasil; Cartilha dos Agrotóxicos; Ladrões de natureza: uma reflexão sobre a biotecnologia; Cartilha do eucalipto; e o mais recente Saúde no solo (biopoder camponês) versus Agronegócio. O curso é realizado pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), com o apoio da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), no auditório 2 da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), em Porto Alegre.

Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

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