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MTD reafirma compromisso com a luta urbana

Há mais de 15 anos fazendo luta e organizando o trabalhador urbano, o Movimento de Luta Urbana (MTD), busca novas perspectivas e, para isso, realizou seminário nacional de reconstrução, de 17 a 20 de abril, em Guararema (SP).  Uma das deliberações foi a mudança do nome da organização, que agora se chama Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos.

"Estamos falando de um MTD que se abre para olhar trabalhadoras e trabalhadores no mundo urbano, no mundo das periferias das grandes e médias cidades. Ali estão todas as suas necessidades e as suas potencialidades de luta e de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, as suas carências", aponta Eliane de Moura Martins, membro da coordenação nacional do movimento.

O Movimento de Trabalhares Urbanos Organizados, MOTU, em luta desde 2007 no Ceará e Sergipe, esteve junto com o MTD durante os dias de reflexão e passa a fazer parte da mesma caminhada. "A gente fala que o MOTU é um movimento que nasceu pra fazer luta. E essa união é muito importante, essa união estratégica fortalece a luta do povo", declara Dalva, do MOTU de Sergipe.

O MTD está presente em cinco estados do Brasil, onde realiza ocupações urbanas e suburbanas, além de organizar experiências de trabalho coletivo, como padarias, confecções e até uma pequena fábrica de tijolos ecológicos.  "Vivemos uma realidade urbana que é um mosaico de experiências, de realidades. Junto com o MOTU, estamos nos colocando na condição de nos aproximar ao máximo possível dessa diversidade, compartilhando a nossa própria experiência que acumulamos nestes 15 anos", diz Eliane.

Protagonismo das mulheres

O movimento debateu seu texto-base, no qual aponta a linhas estratégicas. Entre elas está garantido o caráter feminista que deve ter o novo MTD, pois grande parte de suas integrantes são mulheres. "Por nascermos mulheres já sofremos uma violência que outros não sofrem. Nosso enfrentamento deve ser ainda maior", aponta Chiley, que integra a coordenação do MTD no Rio Grande do Sul.

Ela conta que a violência doméstica é a principal pauta de luta, a violência moral e psicológica é também muito presente. "Buscamos a afirmação da mulher, sua autonomia. É importante irmos construindo a identidade de mulheres trabalhadoras organizadas para fazer de fato o enfrentamento ao capital", conclui.

Aliados

Durante o seminário, alguns movimentos participaram da reflexão do movimento, marcando a aliança estratégica com o novo MTD/MOTU, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT Nacional) e o Levante Popular da Juventude. "Estamos dentro de um campo político da classe trabalhadora, o campo do projeto popular. Nossos aliados, companheiros de jornada são deste campo, da Via Campesina e também de setores sindicais”, explica Eliane.

"A parceria da CUT com o MTD deve se dar em um campo político mais elevado, não simplesmente na solidariedade que é necessária entre os trabalhadores na luta de classes, mas inclusive pra elaborar propostas políticas, de reivindicações no plano mais geral. devemos pautar uma saída que interesse à classe trabalhadora e aos setores mais populares, de construção de uma nação livre e soberana da dominação imperialista", anuncia Júlio Turra, membro da Executiva Nacional da CUT.

"Entendemos que o papel do MTD é ser esta ferramenta do projeto popular no meio urbano, das periferias, organizando a classe trabalhadora a partir de seu espaço de vida. É para isso que estamos nos reorganizando e nos colocando no cenário nacional", conclui Eliane.

Fonte: Brasil de Fato

A Fundação Luterana de Diaconia, por meio do seu Programa de Pequenos Projetos, apoia a Associação Estadual Carlos Dorneles, que tem como objetivo contribuir na formação político-ideológica de um grupo de 20 dirigentes e militantes do MTD-RS. A associação também desenvolve competências por meio da educação popular para análises políticas, tomada de decisões e realização de tarefas pertinentes a um movimento social de massas de caráter nacional, popular, feminista e estrategicamente inserido nas lutas sociais.

Confira a carta do MTD e do MOTU produzida no Seminário Nacional do MTD em Guararema no documento em anexo.