FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Mudar nosso jeito de fazer ou nosso jeito de ser?

Os jovens Renan Eschiletti Machado Guimarães e Roberta Silva Araújo participam do projeto Criatitude – Rumo à Rio+20 pelo Sínodo Rio dos Sinos (RS). Eles escreveram uma matéria sobre a palestra da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, realizada no dia 16, no Instituto Bennet, Rio de Janeiro (RJ), onde estão hospedados.

Em busca de compreender como se dá a participação dos cristãos na defesa do meio ambiente e de formas para colocá-la em prática em nosso sínodo e em nossas comunidades, viemos ao Rio de Janeiro para a Cúpula dos Povos, compondo e delegação do grupo de jovens luteranos engajados na causa ambiental, cujo projeto denomina-se “Criatitude”, como dois dos representantes do Sínodo Rio dos Sinos (RS).

Embora muitas palestras, oficinas e debates tenham chamado nossa atenção, uma delas merece especial destaque: a da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, realizada no dia 16 de junho, no Instituto Bennett, onde nos encontramos alojados, em conjunto com Cláudio Oliver e Ednaldo Michelon, sobre o papel do cristianismo para a transformação do mundo, não só no quesito espiritual, mas também ambiental.

Dentre tantas questões positivas discutidas, uma teve especial destaque na palestra: a mudança do nosso jeito de ser, e não apenas de fazer. Na Rio+20, a conferência oficial promovida pela ONU, discute-se apenas o “fazer”, pois o foco é o estabelecimento de metas ou objetivo para atingir o desenvolvimento sustentável.

Tudo em vão, conforme destacou Marina e os demais, enquanto não mudarmos o nosso jeito de ser, nossa forma de pensar, nosso espírito ansioso por consumir. Marina destacou que a ideia de consumo exacerbado atinge todas as esferas de nossas vidas, inclusive nossos sentimentos e sensações. Queremos tudo para já, da maneira mais fácil e prazerosa, para logo em seguida descartarmos e, então, buscarmos tudo de novo e em quantidades maiores ou de “melhor qualidade”.

Mudar o jeito de ser é o cerne da nossa transformação que, nas palavras de Marina, é invocada por uma verdadeira crise civilizatória. Como cristãos, portanto, a ex-senadora e seus colegas de mesa destacaram que os exemplos de vida dos chamados “heróis bíblicos” raramente são torneados por felicidade, mas por “vida abundante”, o que é bem diferente e, embora nem sempre seja prazerosa, é muito mais redentora. A busca pela felicidade individual e superficial, calcada essencialmente em todo tipo de consumo, motor do egoísmo do homem pós-moderno, precisa ser alterada pela busca por uma vida abundante, e esta é dada àqueles que, de todo coração e entendimento, bebem da fonte da água da vida, que é Cristo.

Uma palestra simples, fantástica e, no contexto bíblico, abundante. Tocou nossos corações e consideramos a melhor de todas as assistidas, tendo em vista o seu foco e a qualidade dos debatedores. É certo que dela muitos frutos advirão, tanto no que toca às reflexões bíblicas a serem feitas, quanto no que tange às práticas que podem ser adotadas, pois fizemos alguns contatos interessantes.

O professor Cláudio Oliver nos enviará um vídeo que fala sobre maneiras de abordar o tema “sustentabilidade” relacionando-o com a Bíblia, e outra colega que estava na plateia mandará material que poderá auxiliar na educação ambiental dos pequenos durante a escola dominical, sempre sob o suporte do texto bíblico. Por fim, também analisaremos dicas sobre o mesmo tipo de abordagem no portal da ONG “A Rocha”, indicada por outros presentes no acontecimento.

Como jovens cristãos, viemos à Cúpula dos Povos em busca de conteúdo para inserir educação e práticas ambientais nas nossas comunidades. A palestra com Marina Silva e os demais presenteou-nos com isto e ainda com a certeza de que toda meta estabelecida por nós, em qualquer área de nossas vidas, inclusive em questões ambientais, será inútil se não mudarmos nosso jeito de ser, de pensar.

Devemos “voltar ao primeiro amor” e direcioná-lo, também, para a Criação de Deus, pois se trata de mais uma maneira de amarmos o próximo e, deste modo, as próximas gerações.

 

Renan Eschiletti Machado Guimarães/Roberta Silva Araújo, IECLB – Sínodo Rio dos Sinos – Paróquia São Mateus, Porto Alegre (RS), Projeto Criatitude

Foto:Alex Rebim/ADL