FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Nota de apoio à Juventude – "Não é só pelos bailes funk"

Desde o dia 7 de dezembro de 2013 a juventude da periferia, na sua maioria negra e pobre, está desvelando o rosto racista e classista do Brasil, através do movimento nominado “Rolezinho”. O movimento teve início em São Paulo (SP), disparado pela proibição dos bailes funks em locais públicos.

Em várias destas situações, a polícia tem usado balas de borrachas, cassetete e spray de pimenta para dispersar as e os jovens. Muitas/os foram detidos. Fontes oficiais – a própria polícia – justificam a violência como uma ação contra possíveis “arrastões”. As gerências dos shoppings têm fechado os espaços, negando a entrada àquelas/aqueles que já têm o mínimo em termos de direitos.

É certo que ter acesso a um shopping center não significa ter acesso à cidadania ou muito menos defender que este seja um espaço para toda a população. Shoppings são lugares de consumo, meramente isso. Quem tem dinheiro para consumir é bem-vinda/o e quem não tem está fora.

Democratizar o acesso ao shopping center é, no mínimo, aumentar ainda mais o número de pessoas alienadas pelo capitalismo. 

A FLD acredita que:

As juventudes da zona leste de São Paulo estão fazendo e dizendo muito mais a partir do templo capitalista chamado shopping center.  Estão mostrando que espaços classistas e racistas como este precisam desaparecer porque não promovem igualdade social para o povo, porque escancaram a separação entre pobres e ricos.

Estão mostrando e provando seus reais motivos para terem medo das forças de segurança. Com cassetetes, armas calibre 40, o Estado bate, mata e marca a vida da juventude há muito tempo.

Crianças, adolescentes, jovens, pessoas idosas, pessoas com deficiência precisam de ruas, praças, teatros, bibliotecas, salas de cinema, parques, pistas de skate, ciclovias igualmente abertas para quem chegar, para quem quiser!

Shopping center para que? O que se aprende dentro de um shopping center?

A FLD apoia várias iniciativas da juventude brasileira organizada em diversos coletivos que atuam na garantia dos seus direitos. Apoiamos a voz da juventude da zona leste de São Paulo, das juventudes do Brasil, ameaçadas pela letalidade policial, pelo racismo e capitalismo.

A violência, o racismo e a discriminação econômica contra a juventude são desumanas e criminosas. Os “rolezinhos” mostram o quanto o Brasil é um território de desiguais. Nosso compromisso irrestrito pela igualdade social. 

A nota está disponível abaixo para download.

Foto:http://im-postura.blogspot.com.br/2014/01/breve-reflexao-sobre-o-shopping-center.html