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Pelos trilhos da linha férrea: Arte em Conjunto desenvolve cultura na Comunidade do Sapo

A Zona Oeste do Rio de Janeiro é normalmente lembrada pela disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas. Fruto da extrema desigualdade social, e da falta de alternativas econômicas, a violência costuma ser a tônica nas comunidades da região, que também sofrem com a truculência por parte dos órgãos do Estado. Um caso emblemático dessa situação é a Comunidade do Sapo, localizada no Bairro de Senador Camará. Cortada pela linha férrea que desemboca na Central do Brasil, a comunidade é tida como “a primeira favela do Comando Vermelho”, conforme Celso Athayde, um dos fundadores da CUFA – Central Única das Favelas.

Apesar da desassistência por parte do poder público, que se contrapõe aos grandes esforços empreendidos para a realização de grandes eventos esportivos na cidade, sobram iniciativas por parte da sociedade civil visando à transformação da realidade e à promoção da dignidade dos moradores da Zona Oeste do Rio. Um exemplo é o Arte em Conjunto, parceiro da FLD, projeto surgido no ano de 2006, a partir de um mutirão de limpeza organizado por jovens moradores da Comunidade do Sapo. A iniciativa logo se tornou um mutirão de grafite, que veio a consolidar um evento anual dedicado ao tema, com a posterior instalação de um Centro Sociocultural.

“O maior diferencial do Arte em Conjunto é a integração com a comunidade”, explica o educador social Mário Gomes, um dos líderes do grupo. “Começamos como um movimento, algo do conjunto, e hoje temos essa responsabilidade de trabalhar e desenvolver a cultura”, continua ele, chamando atenção para o caráter independente e modificador da iniciativa.

Atualmente o Arte, como é conhecido, além das oficinas culturais que desenvolve, também trabalha na divulgação e intercâmbio de grupos socioculturais na região da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Com isso, a comunidade tem a possibilidade de abordar novos temas, fazendo uma positiva troca de experiências. Foi o caso, por exemplo, da visita realizada no final do mês de abril pelas integrantes da Rede NAMI, uma rede feminista que usa artes urbanas para promover os direitos das mulheres, e o GuerreirasProject, que se utiliza de recursos de multimídia para discutir temas relacionados a questões de gênero, à Comunidade do Sapo.

Contando com a presença da ativista feminista Panmela Castro, os grupos, além do momento de integração, que envolveu a realização de uma partida de futebol e de uma oficina de grafite, pode discutir questões que, dado o cenário de violência doméstica, não poderiam ser debatidos em outras circunstâncias. Com isso, o Arte em Conjunto espera que a integração entre a Zona Oeste e o restante do Rio de Janeiro não fique limitada à linha férrea. Afinal, o acesso à cultura é um direito de todos, servindo como ferramenta para a consolidação de uma sociedade pluralista.

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 Por Érico Loyola (Comunicador Voluntário/FLD) e Mário Gomes (Educador Social/Arte em Conjunto)