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Projeto Pampa atende 12 municípios nas áreas de resíduos sólidos e agrobiodiversidade

A equipe que está atuando no Projeto Pampa (Minimização de impactos socioambientais através de estratégias urbanas e rurais no estado do Rio Grande do Sul), que está sendo executado pela FLD, já percorreu 14 mil quilômetros desde o início de 2013, quando as atividades começaram. Integrado às áreas temáticas Justiça socioambiental e Direitos da FLD, o projeto busca valorizar práticas e saberes de populações urbanas e rurais e abrange 12 municípios da fronteira oeste do Rio Grande do Sul (Barra do Quaraí, Quaraí, Uruguaiana, Alegrete, Rosário do Sul, Cacequi, São Francisco de Assis, Manoel Viana, Unistalda, Maçambará, Itaqui e São Borja), além da Região do Vale do Rio Pardo e região metropolitana de Porto Alegre.

A proposta tem duas frentes de atuação: uma na área de resíduos sólidos, onde grupos de catadores e catadoras são o público prioritário, e outra, na área da agrobiodiversidade do pampa, com grupos da agricultura e da pecuária familiar. Ações orientadas pelos princípios da educação ambiental, do protagonismo e da atuação em rede orientam o trabalho e a articulação das duas áreas, promovendo uma visão e atuação integral.

Depois de aprofundar a leitura de estudos, pesquisas, trabalhos e documentos existentes sobre a região e áreas de interesse, a equipe visitou organizações e fez um mapeamento das dificuldades existentes e de possíveis parcerias. Através da sistematização e análise destas informações e impressões, a FLD está compondo um diagnóstico preliminar sobre as temáticas de resíduos sólidos e agrobiodiversidade nos 12 municípios.

A FLD conta com o apoio da agência Pão para o Mundo (PPM) e com a parceria do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) para a execução do projeto. Além disso, está estabelecendo outras relações de parceria, em âmbito local, regional e estadual.

Sobre o bioma pampa

O pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, onde ocupa uma área de 176.496 km² (IBGE, 2004). Isto corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território brasileiro. Ainda que se faça uma relação imediata da palavra pampa com grandes extensões de campo nativo, há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos etc.

Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos, o bioma apresenta flora e fauna próprias e grande biodiversidade, ainda não completamente descrita. Estimativas indicam valores em torno de 3 mil espécies de plantas. A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves e 100 espécies de mamíferos terrestres.

Trata-se de um patrimônio natural, genético e cultural de importância nacional e global. Também é no pampa que fica a maior parte do aquífero Guarani.

A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do bioma. A perda de biodiversidade compromete o potencial de desenvolvimento sustentável da região, seja perda de espécies de valor forrageiro, alimentar, ornamental e medicinal, seja pelo comprometimento dos serviços ambientais proporcionados pela vegetação campestre, como o controle da erosão do solo e o sequestro de carbono que atenua as mudanças climáticas, entre outros (http://www.mma.gov.br/biomas/pampa).

Foto: Banco de Imagens da FLD/Aliança ACT