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Seminário avança na constituição da cadeia produtiva das frutas nativas no RS

Araçá, guabiroba, pinhão, jabuticaba, guabiju, goiabeira serrana e butiá são as frutas nativas que estão constituindo esta cadeia produtiva na região Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul. A Secretaria da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe) já anunciou a licitação de equipamentos para a formação de uma miniunidade de processamento das frutas. A diretora do Departamento de Incentivo e Fomento à Economia Solidária (Difesol), Nelsa Nespolo, participou do Seminário da Cadeia Produtiva das Frutas Nativas em Passo Fundo (RS), no dia 27 de setembro, onde ouviu as demandas de agricultores familiares.

Édison Klein, do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) Erexim, destacou que possuem o melhor microclima para a produção de citrus, demonstrado através da qualidade na textura, cor e sabor da fruta. Após oito anos de incentivo à produção de frutas nativas, nove famílias entre agricultores de produção ecológica e convencional devem alcançar uma produção de 1500 quilos em 2012.

Oficinas e jantares têm contribuído com a divulgação do potencial econômico das frutas nativas. Mas, Klein assinala, dentre as dificuldades enfrentadas, está a prática do uso destas frutas como alimento para animais de corte, como é o caso da guabiroba.

Dentre as reivindicações à Sesampe, o representante do Cetap Erexim destacou: a necessidade de segurança na comercialização, armazenagem e processamento da polpa da fruta; a importância da conscientização para que o modelo da monocultura não se repita na agricultura familiar; a necessidade de mapeamento e identificação das árvores de frutas nativas nas propriedades rurais; e a  continuidade do acompanhamento técnico com as famílias.

Ezequiel Martins, do Cetap com atuação em Vacaria e Sananduva e municípios da região, arrolou as reivindicações da cultura do pinhão, entre os quais equipamentos para descascar a fruta. Em Pinhal da Serra, 100 toneladas de butiá foram comercializadas somente através do Bloco do Produtor. De Ibiraiaras, a produção média de jabuticaba é de 15 toneladas, sendo que já chegou a 25 toneladas.

“Seria pertinente criar a rota turística da fruta nativa para popularizar estes alimentos,” sugeriu Martins. Dentre as demandas, ele citou a capacitação técnica das famílias e a aquisição de veículo e câmara fria para o transporte adequado das frutas processadas e da polpa concentrada e congelada.

O potencial do araçá é verificado em Santo Antônio do Palma, São Domingos, Vila Maria e municípios próximos. Carla Dornelles, do Cetap com atuação em Sananduva, relatou o fomento do cultivo entre as famílias e o projeto Sabores Locais, que capacitou merendeiras em escolas onde os alunos aprenderam a apreciar o bolo de pinhão e o sagu de butiá. Ela também reivindicou uma maior infraestrutura para a coleta, armazenagem e transporte das frutas in natura ou processadas.

“As famílias estão mais atentas à biodiversidade, estão identificando outras árvores nativas. Além de um resgate da cultura, encontram mais uma opção de alimento, uma alternativa de renda, uma forma de manter as árvores e a mata nativa, com segurança alimentar,” disse Carla.

Nelsa Nespolo adiantou que a quarta edição dos Cadernos da Sesampe, que será feito em parceria com a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), presente no seminário em Passo Fundo, será sobre frutas nativas, contendo informações que possam atrair a atenção do cidadão aos produtos da economia solidária.

“Temos no estado 150 espécies de plantas nativas com frutas alimentícias. São plantas que requerem pouco trato e dispensam insumos químicos e agrotóxicos, elementos chave para a soberania alimentar,” destacou Nespolo. As frutas podem ser transformadas em sucos, chás, geleias, sorvetes, bebidas, “massa” ou farinha, como no caso do pinhão, têm propriedades nutracêuticas ou potencial ornamental.

No final do dia, os participantes provaram os sucos de jabuticaba, guabiroba e goiabeira serrana acompanhados de bolachas de pinhão, pasteis de carne e butiá e croquete de pinhão.

O seminário, que contou com o representante do Núcleo de Agroecologia do Departamento de Agricultura Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do RS, Rodrigo Sasso, foi promovido pelo Fórum Regional da Economia Popular Solidária (FREPS), Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) e Secretaria da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe -RS). 

Texto e fotos: Eliege Fante