FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Seminário discute Hidrelétricas Binacional Garabi e Panambi em Porto Mauá (RS)

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Diocese de Santo Ângelo promovem o seminário "Informações da Eletrobras sobre o plano de construção das barragens de Garabi e Panambi" no dia 11 de abril em Porto Mauá (RS). 

Conforme o divulgado, o objetivo é democratizar o debate sobre a construção do Complexo Hidrelétrico Binacional Garabi e ouvir as manifestações de Gilberto Cervinski, coordenador nacional do MAB; Egidio Schoenberger, diretor de planejamento e engenharia da Eletrobras; representantes do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, de autoridades locais  e regionais, de entidades e movimentos sociais e, principalmente, da população ameaçada pela construção das barragens no Brasil e na Argentina. Estarão presentes também os professores Dorival Gonçalvez Junior (UFMT), Domingo de Carvalho Villela Junior (FEMA), e Raul Aramendi (Universidade de Posadas/Argentina). 

As hidrelétricas de Garabi e Panambi (Complexo Garabi), previstas para o trecho do Rio Uruguai na divisa com a Argentina, se construídas, vão alagar uma área de cerca de 70mil hectares, ou seja, maior do que a área prevista para ser inundada por Belo Monte. Ainda segundo o Movimento Rio Uruguai Vivo, com a usina de Panambi, pelo menos 10% (1.750 ha) do Parque Estadual do Turvo (RS) estaria alagado, representando mais de 2 milhões de árvores, quantidade maior do que toda a arborização de Porto Alegre. "Isso resultaria numa significante perda de habitat na unidade de conservação florestal mais antiga e importante do Rio Grande do Sul, único local do estado que ainda abriga espécies ameaçadas como a onça, a anta, o tapiti, os araçaris, a jararacussu, entre outros."

A previsão de aumento na largura e profundidade do rio a ser provocada pelo lago da barragem, se confirmada, vai dificultar o fluxo gênico entre o RS e a Argentina, onde existe o Maior Corredor da Mata Atlântica de Interior (Misiones – Alto Uruguai) que liga o Parque  Estadual do Turvo ao Parque Nacional de Iguaçu. Os ambientalistas ressaltam que hoje, muitos animais cruzam o Rio Uruguai, principalmente nas épocas em que os níveis estão mais baixos, e que o Corredor de Misiones é uma importante área fonte de biodiversidade para o parque. "Portanto, caso houver um impedimento de passagem devido ao grande lago formado, poderá ocorrer um processo chamado de depressão endogâmica(acasalamento entre indivíduos cada vez mais aparentados), acarretando a extinção local de espécies, já que, por terra, o parque está isolado devido à existência de monoculturas de soja."

A perda de estoques pesqueiros também é uma preocupação. O Movimento No a Garabi informa que, aproximadamente, 30 mil pessoas seriam atingidas somente com a hidrelétrica de Garabi (excluindo Panambi). Sobre o Salto do Yucumã, que já passa a maior parte dos meses do ano inundado devido hidrelétricas já construídas como Itá e Machadinho e, principalmente, a recente Foz do Chapecó, está ameaçado porque a cota máxima do lago da barragem estaria num nível de apenas quatro metros abaixo do Salto. Mas, as autoridades prometem que a hidrelétrica de Garabi não vai acabar com aquele que é tido como uma das Sete Maravilhas do RS e é o maior salto longitudinal do mundo. 

O Movimento Ambientalista do RS pede moratória, há mais de 10 anos, às hidrelétricas da bacia do rio Uruguai, para que se façam os estudos de zoneamento necessários de suas áreas de maior relevância de proteção e de seus impactos socioambientais. "Os grandes projetos na bacia do rio Uruguai, na sua quase totalidade, são de 1979, e deveriam ser revistos sob a luz da Constituição (1988), da Convenção da Diversidade Biológica (1992) e das demais leis que protegem a Mata Atlântica (1994, 2006) e as Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade (MMA, 2007)," justifica.

Para obter mais informações acesse: http://riouruguaivivo.wordpress.com/