FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Solidariedade - o que é afinal? Participantes discutem compreensões e conceitos

“A solidariedade começa com o olhar para o outro”, afirmou a professora do Instituto Superior de Educação Ivoti (ISEI), Marguit Goldmeyer, ao falar no Seminário Educação para a Solidariedade, no dia 30, em São Leopoldo (RS). “Significa também perceber o que acontece à volta, realmente enxergar as coisas e as pessoas – algo tão simples, mas tão complexo”.

Marguit foi uma das palestrantes no primeiro dia do encontro promovido pela FLD junto com a Rede Sinodal de Educação. A proposta busca discutir e trabalhar o compromisso com a construção de uma sociedade que valoriza a paz com justiça social, promovendo a sensibilidade solidária como princípio ético na vida das pessoas.

“Tudo o que fazemos, como seres humanos, está interligado. Minha atitude repercute na atitude ou na vida do outro. E o nosso grande trunfo como educadores é que trabalhamos de forma interdisciplinar”, lembrou a professora.

O secretário executivo da FLD, Carlos Gilberto Bock, apresentou o trabalho da organização, lembrando que a FLD e a própria rede de escolas luterana são frutos da solidariedade de parceiros internacionais, especialmente da Alemanha. Criada em 2000 por decisão do Conselho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB), a partir do seu Serviço de Projetos de Desenvolvimento, a fundação apoiou nestes 12 anos de atividade, por meio do Fundo de Projetos, 600 projetos, entre médios e pequenos. “Apoiar vai além do simples repasse financeiro”, disse o secretário executivo, “significa também avaliar e acompanhar o desenvolvimento dos projetos.”

A FLD ainda acompanha os parceiros estratégicos, o Conselho de Missão entre Indígenas (Comin), o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Além disso, é autora e executora de iniciativas inovadoras, como a exposição interativa Nem tão Doce Lar, que busca a superação da violência doméstica.

A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ana Mercedes Icaza, trabalhou a partir de três abordagens. A primeira é a solidariedade entre iguais - a solidariedade é algo intrínseco no ser humano. “Ser solidário é existir em sociedade. Ninguém sobrevive sozinho”, disse.

A segunda é a solidariedade como ajuda ao necessitado. “Aqui entra a questão da filantropia/assistencialismo. Ao mesmo tempo em que algumas vezes ela é positiva, nos coloca acima do outro”, lembrou ela.

A terceira é a solidariedade contratual, instrumental, na forma de direitos, de leis, de instituições e de políticas sociais. Aqui a questão é a universalização dos direitos, ou seja, todas as pessoas devem ter direito à educação, à saúde etc.

“As acepções não são excludentes”, ressaltou ela. A questão é como instituir a solidariedade – como princípio de redistribuição – entre iguais em uma sociedade como a nossa, que é de não iguais.

Para tanto, Ana Mercedes deixou algumas pistas:

  • Reconhecer o outro: a não indiferença (o contrário da pergunta “o que é que eu tenho a ver com isto?”).
  • Aceitar as diferenças.
  • Exercer a reciprocidade: dar – receber – retribuir (substituindo a lógica do comprar e vender).