FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA

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Cataforte / RS

É com muita alegria que apresentamos esta sistematização do Projeto Cataforte no estado do Rio Grande do Sul. Trata-se da partilha de uma bonita caminhada que teve início em 2010 e que tem gerado bons frutos no processo de organização de mais de mil catadoras e catadores de materiais recicláveis naquele estado.

O Projeto Cataforte é uma parceria entre a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes)/Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Fundação Banco do Brasil (FBB), Petrobras, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Re- cicláveis (MNCR), além de dezenas de entidades parceiras nos diversos estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, esta parceria foi engrandecida com a Fundação Luterana de Diaconia (FLD).

Todas essas instituições e movimentos sociais têm em comum a compreensão de que a questão da inclusão dos catadores de materiais recicláveis apresenta-se hoje como um eixo estratégico para o poder público e a sociedade, possuindo implicações sociais, ambientais, culturais e econômicas, relacionadas ao modelo de desenvolvimento predominante. Do ponto de vista social, envolve diretamente indivíduos que tiram seu sustento de um sistema de consumo do qual são, eles próprios, excluídos.

Segundo os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o número de trabalhadoras e trabalhadores que se dedicam às atividades desta cadeia produtiva é de 400 a 600 mil, distribuídos principalmente nas áreas de coleta, triagem e classificação de mate- riais recicláveis, mas mais de 90% deste total ainda realiza as atividades de forma isolada, nos lixões e ruas dos municípios brasileiros.

Apesar dos recentes avanços, há ainda muito a ser feito para que as conquistas obtidas sejam efetivas e se reflitam na vida cotidiana de catadores e catadoras do Brasil. O encerramento dos lixões até agosto de 2014, por exemplo, se ocorrer sem inclusão dos catadores organizados na implantação da coleta seletiva, será uma iniciativa excludente e, em breve, o número de pessoas em situação de pobreza extrema, no país, poderá aumentar.

Em relação aos catadores que já estão organizados em associações e cooperativas, principalmente nos grandes centros urbanos, é preciso apoiá-los para que possam se organizar em redes. Isso permitirá ampliar sua atuação e avançar em outros elos das cadeias produtivas, como o beneficiamento da matéria-prima coletada e triada ou, simplesmente, para aumentar o volume de material comercializado o que, em geral, já assegura um valor maior a ser pago pelo produto. Vale ressaltar também a questão da Logística Reversa como uma oportunidade de fomentar as organizações de catadores.

O Projeto Cataforte foi concebido exatamente com o objetivo de promover ações de capacitação, formação e assistência técnica, com vistas ao fortalecimento das organizações sociais e produtivas dos catadores de materiais recicláveis e das formas de autogestão dos empreendimentos econômicos solidários. Desde 2009, mais de 10.600 catadores e catadoras participaram do projeto em 19 estados da Federação, mais o Distrito Federal. Além da formação social, profissional, política e cultural dos catadores, o projeto proporcionou assistência técnica visando a formalização dos empreendimentos, a melhoria das condições de trabalho e de renda e o estímulo à formação de Redes de Cooperação.

Na segunda fase, a partir de 2010, foi concebido o Projeto Cataforte II – Logística Solidária, com a parceria entre a FBB, a Senaes/MTE, a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é possibilitar a inserção competitiva das redes de cooperativas de materiais recicláveis nos sistemas públicos de coleta seletiva, bem como nos processos de logística reversa.

Para isso, o projeto proporcionou o fortalecimento da infraestrutura de logística das cooperativas e associações em rede com a aquisição de veículos e assistência técnica na elaboração e implantação de planos de logística, viabilizando o aumento de suas

capacidades operacionais de coleta, transporte e comercialização.

Essa história de emancipação é aqui contada com o clima, as cores, as paisagens e, sobretudo, com o jeito de ser do povo lutador do Rio Grande do Sul. Mais do que um relato, aqui está a comprovação de que é possível, de que juntos podemos superar todas as formas de justiça e de opressão que historicamente vitimiza milhares de mulheres e homens, catadoras e catadores de materiais recicláveis.

A Equipe da Senaes 

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