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"Olho de frente, no olho da pessoa, e digo o que eu sinto. Antes, não era assim"

29-03-2018

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Ao observarem o andamento e os resultados dos grupos de mulheres criados em associações e cooperativas pelo projeto Mulher Catadora é Mulher que Luta, 15 catadoras que ocupam espaços de lideranças nessas associações e cooperativas demandaram a criação de um grupo diferenciado – o Grupo de Mulheres Lideranças.  Com encontros mensais na sede de Fundação Luterana de Diaconia (FLD), executora do projeto, em Porto Alegre (RS), elas conversaram, dialogaram e dividiram preocupações e desafios, buscando seu fortalecimento para a representação de suas companheiras.

No espaço seguro dos encontros do Grupo de Mulheres Lideranças, as participantes perceberam que já reúnem habilidades, saberes e experiências aprendidas no cotidiano da vida, especialmente porque estão inseridas em uma realidade de luta. Muitas estão à frente de suas famílias, lideram cooperativas, sabem organizar o trabalho e orientar pessoas.

“Até uns tempos atrás, eu tinha medo de chegar e sentar em uma mesa e falar com o prefeito e pensar que eu era ignorante para falar. Mas agora com o nosso conhecimento, eu vejo que não sou ignorante”,  disse Vera Lúcia da Rosa, da Coomcat, de Santa Cruz do Sul.

Da mesma forma, Rosângela Terezinha Nunes, da Coomcat: agora estou conseguindo falar com os homens de frente, pois antes eu tinha medo – medo é modo de dizer. Eu não tinha aquela garra, mas agora não. Agora se tiver que enfrentar, eu enfrento: olho de frente, olho na cara daquela pessoa e digo o que eu sinto. Antes eu não pensava assim. E o projeto está me trazendo isso.