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​"Se vejo um material reciclável, já quero sair juntando"

12-03-2018

“Ser catadora de materiais recicláveis entra no sangue e não larga mais”, disse a catadora Noreci Maria da Silva, da Cootracar, na cidade de Gravataí (RS). “Qualquer lugar onde estou, se vejo um material reciclável, já quero sair juntando.”

Noreci, ou Nori, sempre trabalhou na coleta de materiais. No início, fazia sozinha, puxando um bag (são grandes sacos flexíveis e resistentes, com alças, que chegam a acomodar uma tonelada de material). Depois, conseguiu um carrinho, o que facilitou um pouco. “Não tinha outro serviço. Comecei a catar. Sustentava a família praticamente sozinha.”

Como contam muitas catadoras e catadores, Nori também sofreu preconceito. “As pessoas não deixavam a gente usar o banheiro da casa, quando não tínhamos outra opção, por exemplo. Achavam que íamos roubar algo. É difícil, a gente se sente mal”.

Mas ela viveu outras tantas experiências de acolhimento e de amizade. “Pessoas que sabiam que a gente ia passar na casa para buscar material, já deixavam um lanche preparado pra nós”.

Mais tarde, associou-se à Cootracar, que, como cooperativa, tem um formato completamente diferente da coleta individual. “Aqui a gente tem regras, horários, é preciso assumir responsabilidade com o grupo”, lembrou. “Ao mesmo tempo, as vantagens são muitas: salário fixo, férias e outros benefícios que eu não tinha antes, trabalhando por conta.”