Nem Tão Doce Lar integra atividades do evento Conexão Luterana em Joinville (SC)

Nem Tão Doce Lar no Conexão Luterana, em Joinville (SC)
Casa-exposição foi montada em tenda na Praça Nereu Ramos, no centro do município. Foto: Rogério Aguiar/FLD

A FLD, através da casa-exposição Nem Tão Doce Lar, integrou as atividades do Conexão Luterana em Joinville (SC), evento realizado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB) na região. A atividade contou com a participação de representantes das 16 paróquias luteranas do município e também de pessoas que circulavam pela Praça Nereu Ramos, no centro da cidade. 

O evento foi marcado por diversas apresentações musicais, dança, celebrações, contação de histórias, dinâmicas, atividades recreativas voltadas para as crianças, apresentação dos grupos de mulheres, mostra das ações diaconais e a casa-exposição Nem Tão Doce Lar, montada em uma tenda com apoio da equipe de acolhedoras e acolhedores organizada pelo departamento de Diaconia da Comunidade Evangélica de Joinville (CEJ). Houve distribuição de materiais informativos com contato e endereços de equipamentos públicos e organizações de atendimento às pessoas em situação de violência. 

Como foi a presença da Nem Tão Doce Lar neste evento?

Mais de 120 pessoas passaram pela casa-exposição e tiveram a oportunidade de participar de sua imersão, interagindo com o espaço e experienciando momentos de sensibilização sobre o tema, através da interação direta com os cenários e o diálogo com acolhedoras e acolhedores. O incentivo à denúncia e o foco na prevenção por meio da propagação de informações foi a principal pauta das conversas no interior da casa. Em diversos momentos, visitantes trouxeram a preocupação coletiva no que se refere à urgência de seguir trabalhando o tema nas igrejas e nas escolas, como também a priorização da pauta do enfrentamento e da superação da violência doméstica enquanto política pública efetiva. O público visitante foi muito diverso, com a participação de mulheres e homens de diferentes faixas etárias. 

“Trazer a Nem tão Doce Lar para Joinville por meio da Comunidade Evangélica de Joinville e colocar a exposição no evento Conexão Luterana foi um marco importante para o início dos diálogos sobre o tema da violência doméstica e como identificar situações no âmbito das nossas comunidades e paróquias. O combate à violência contra as crianças, adolescentes, idosos e mulheres precisa estar presente nas nossas comunidades cristãs. Precisamos nos conscientizar de que a violência também atinge pessoas em nossas igrejas e que, muitas vezes, por vergonha ou culpa não buscam ajuda”, afirma Méris Gutjahr, diácona e coordenadora do Departamento de Diaconia e Assistência Social da Comunidade Evangélica de Joinville. Ela diz ainda que levar a iniciativa à cidade “abre caminhos para diálogos contínuos, encoraja lideranças a abordarem o tema em suas comunidades e reforça o papel da Igreja como agente ativo na prevenção, no enfrentamento da violência e no apoio às vítimas.”

WhatsApp Image 2026 04 23 at 13.44.38
Grupo que participou da Oficina de Formação para acolhedoras e acolhedores da Nem Tão Doce Lar. Foto: Rogério Aguiar/FLD

Antes da montagem da casa exposição na praça, foi realizado, no dia 23 de abril, no salão da comunidade luterana do centro de Joinville, uma formação voltada para atuação de pessoas acolhedoras. A oficina de formação teve a participação de 26 pessoas, representantes de organizações da sociedade civil, conselhos municipais, Fórum de Mulheres e comunidades luteranas. “A oficina realizada dias antes da abertura da exposição preparou profissionais da rede de apoio e orientação para atuarem como facilitadores no processo de conscientização e busca por ajuda. Durante a capacitação, o tema foi amplamente debatido, permitindo que os participantes repensassem práticas diante da realidade local e criassem laços que fortalecem o combate às diversas formas de violência sofridas pela população”, lembra Tania Mara de Oliveira Guesser, psicóloga no Departamento de Diaconia e Assistência Social da CEJ-UP.

O momento de formação foi estratégico para a articulação entre os trabalhos diaconais desenvolvidos pelas comunidades luteranas e as organizações da sociedade civil e equipamentos públicos, especialmente nas ações de prevenção à violência doméstica, mas também no reconhecimento e acompanhamento às pessoas em situação de violações de direitos. Ana Júlia Vieira, psicóloga social e clínica, defensora de direitos humanos no Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Braz (CDHMGB) e integrante do Fórum de Mulheres de Joinville, destaca que a formação possibilitou às mulheres ampliarem o olhar sobre a desigualdade de gênero e à violência doméstica, e ressaltou que a Nem Tão Doce Lar “tem grande relevância quando pensamos que, muitas vezes, nós, dos movimentos sociais, não conseguimos acessar mulheres que estão inseridas em outros espaços, como as igrejas. Nesse sentido, cumpriu um papel importante ao aproximar realidades que, no cotidiano, acabam se afastando por diferentes compreensões de mundo, fortalecendo o diálogo e a construção de redes.”

WhatsApp Image 2026 04 23 at 13.44.41 1
Oficina trouxe diversos temas para o enfrentamento e superação da violência doméstica e familiar. Foto: Arquivo pessoal

Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios

Um dos temas trabalhados na oficina foram os três eixos do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Lisete Freitas Vargas Ellmer, assessora do CDHMGB e auxiliar administrativa do Conselho Carcerário de Joinville, participou pela terceira vez da Oficina de Formação da Nem Tão Doce Lar e afirma que o diferencial este ano foi a inclusão deste tema. “Olhando pelo viés dos direitos humanos, penso que é necessário reforçar a urgência de construir vivências de mudança de cultura e comportamento que perpassam pela educação. As diversas formas de violências impostas pelo patriarcado se renovam e se multiplicam nas redes sociais e está disponível 24 horas por dia para adolescentes e jovens. Movimentos religiosos misóginos e conservadores que usam como pano de fundo o discurso de ‘afirmação da masculinidade’, como os legendários, também são fomentadores da violência. É importante sensibilizar os homens para a luta contra a violência.”

O Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios foi criado por decreto federal em 2023, como um conjunto de estratégias de coordenação e efetivação de políticas públicas. A coordenação central fica a cargo do Ministério das Mulheres, com participação de outros ministérios e de diferentes órgãos federais, havendo a possibilidade de adesão voluntária de estados e municípios, através de um termo de adesão. A estrutura de governança conta com Comitê Gestor e monitoramento permanente das ações. Existe a dependência de adesão dos estados e municípios para garantir maior efetividade nos territórios. 

Ele está organizado em três eixos: Prevenção primária, Proteção às mulheres em situação de violência, e Responsabilização e combate à impunidade. A prevenção primária visa à mudança de concepções pré-estabelecidas e engessadas dentro de uma cultura violenta e machista, apostando na educação continuada de médio e longo prazo em justiça de gênero, para a mudança de comportamentos, especialmente dos homens. 

A proteção às mulheres passa pelo fortalecimento das redes de proteção e a ampliação e qualificação dos serviços de abrigamento e centros de referência. Como também a agilidade nos encaminhamentos e nas medidas protetivas com integração do judiciário, assistência social e segurança pública.

“Mas não basta apenas compreender a complexidade das nuances que normatizam as relações sociais, é preciso exercitar esse aprendizado tornando-se parte da luta pela transformação na maneira de pensar, de agir e de se movimentar no âmbito da diversidade. A convivência entre as diferenças é que dá sentido à beleza da vida. Não basta também que somente as mulheres tenham a compreensão da urgência da mudança de pensamento e de ações na caminhada pela cultura da paz. Se faz necessária a participação dos homens nessa jornada de transformação”, pontua Valdete Daufemback, do CDHMGB.

Avatar photo
Assessoria de Comunicação FLD
A Fundação Luterana de Diaconia (FLD) é uma organização da sociedade civil que defende o direito à existência com vida boa de toda a diversidade. Atua junto a grupos e comunidades promovendo e assessorando ações em agroecologia, cultura, economia solidária, justiça de gênero e étnico-racial, direitos humanos e terra e território.