Anistia Internacional | Nota Pública: menções ao caso Marielle Franco em pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro
Sobre as menções do presidente Jair Bolsonaro ao assassinato da defensora de direitos humanos Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, no pronunciamento realizado na tarde desta sexta-feira (24.04), a Anistia Internacional afirma:
“Chama nossa atenção o fato de o presidente Jair Bolsonaro revisitar diversas vezes o brutal assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes no discurso de hoje, em vez de apresentar à sociedade brasileira explicações consistentes às graves acusações feitas contra ele pelo ex-ministro Sergio Moro ao pedir demissão nesta manhã. Ao comparar as investigações da facada que sofreu em 2018, durante a campanha eleitoral, às investigações do crime contra Marielle, criticando os esforços imparciais das instituições brasileiras nas apurações sobre a execução da defensora de direitos humanos, ele parece considerar sua vida mais importante do que a de outros cidadãos, além de deixar clara a falta de compreensão sobre a isonomia das instituições e diminuir a importância dos defensores e defensoras de direitos humanos no Brasil. É obrigação do Presidente da República proteger as vidas daqueles que se dedicam a lutar por um mundo mais justo.
“Lamentamos que o pronunciamento também tenha exposto, mais uma vez, as famílias de Marielle e Anderson à dor, em meio a uma crise política e a uma pandemia. Enquanto não se descobrir quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê, nenhum defensor e defensora de direitos humanos estará seguro e segura no país.
“Além disso, o presidente Bolsonaro expôs ter feito uso da Polícia Federal em benefício próprio, ao pedir que Elcio Queiroz e Ronnie Lessa, acusados de matar Marielle, fossem ouvidos por agentes da corporação sobre supostas conexões com o presidente que surgiram à época das prisões. Isso pode ser um indício de que a Polícia Federal, sob seu comando, adota linhas de investigação conforme a conveniência do governo. Exigimos que todas as providências sejam tomadas para se investigar o desvio de função e quebra de isenção da Polícia Federal no caso Marielle. A mesma intenção foi declarada pelo presidente no pronunciamento ao questionar os motivos de a Polícia Federal não ter investigado o porteiro que o citou em depoimento, que depois se mostrou falso, ao Ministério Público do Rio de Janeiro.”
A Anistia Internacional atua no caso Marielle Franco desde o primeiro dia, mobilizando o mundo inteiro para exigir justiça pela defensora de direitos humanos e por seu motorista, Anderson Gomes. Seguiremos firmes neste propósito. Não descansaremos até que se descubra quem mandou matar Marielle, e por quê.
[/spb_text_block]