Encontros do Programa de Pequenos Projetos reúnem grupos apoiados pelo edital Pampa: territórios em luta por direitos

Representantes dos projetos selecionados no edital “Pampa: territórios em luta por direitos”, do Programa de Pequenos Projetos da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), participaram, na última semana, de encontros presenciais em Porto Alegre e Pelotas (RS). As atividades, que reuniram mais de 80 pessoas, foram voltadas à gestão coletiva de projetos e promoveram momentos de alinhamento, formação e troca de experiências sobre o desenvolvimento das iniciativas apoiadas.
Durante os encontros, foi apresentada a metodologia de acompanhamento dos projetos, destacando a justiça de gênero e étnico-racial como eixos transversais das ações apoiadas. As pessoas participantes também receberam orientações sobre execução dos projetos, elaboração de relatórios e prestação de contas, com atividades práticas, além de diálogos sobre comunicação e visibilidade das ações desenvolvidas nos territórios.
“A nossa cooperativa nunca tinha se inscrito em nenhum projeto. E aí a gente aprendeu e estamos aprendendo, cada vez mais, a responsabilidade que é lidar com uma coisa que não é tua, porque a gente tem que fazer prestação de conta, aquela coisa bem detalhada e específica. Então pra nós é muito bom porque a gente vai aprendendo e é um leque que tá se abrindo na nossa vida pra futuramente a gente se inscrever em outros projetos” afirma Cleia Ribeiro, da Cooperativa de Trabalho em Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos (COPERSOL), de Canguçu (RS).

Os espaços também buscaram fortalecer redes e conexões entre os grupos apoiados, valorizando a diversidade dos territórios, das lutas e das experiências presentes no bioma Pampa. A proposta foi construir um espaço coletivo de escuta, diálogo e fortalecimento mútuo entre iniciativas que atuam na promoção da justiça socioambiental, étnico-racial e de gênero. Kitanji Goulart Nogueira, da Casa da Árvore, de Pelotas (RS), ressalta a importância do encontro e de iniciativas de reconhecimento dos diversos territórios e coletivos para “a gente pensar exatamente a diversidade, pensar um país menos fundamentalista, um país que reconheça os danos que o colonialismo promoveu na nossa sociedade para que a gente possa avançar.”
Ela lembra também dos desafios dos grupos e dificuldades que enfrentam em seus territórios. “As violências acontecem lá, elas não acontecem no âmbito das ideias. Elas acontecem no dia a dia, nos nãos da porta, no não reconhecimento. E essas são as lágrimas que a gente solta todos os dias e que esses espaços sejam de chorar, de reconhecer que elas existiram, mas que elas possam regar novas flores.” Junto dela, Maria Tugira Cardoso, da Associação de Catadores de Lixo Amigos da Natureza (ACLAN), de Uruguaiana (RS), reitera o coletivo: “Eu sempre vou me sentir fortalecida para passar também esse fortalecimento. Então é a importância da integração para que nós também possamos divulgar os projetos, os frutos que a gente já colheu. E que todos possam estar trabalhando lado a lado.”
Os grupos irão se reencontrar em um próximo encontro formativo sobre justiça de gênero e étnico-racial.
Encontros do Edital Pampa: territórios em luta por direitos
Lançado em fevereiro deste ano, o edital “Pampa: territórios em luta por direitos” apoia iniciativas de povos indígenas, kilombolas, povos e comunidades tradicionais, catadoras e catadores de materiais recicláveis, grupos da economia solidária, agricultoras e agricultores agroecológicos, juventudes, coletivos de mulheres e população LGBTQIAPN+ do bioma Pampa.
Ao todo, foram selecionados 40 projetos de organizações da sociedade civil, empreendimentos da economia solidária e movimentos sociais de 22 municípios do bioma Pampa, no Rio Grande do Sul. As iniciativas, que acontecem nos próximos nove meses, contemplam ações de incidência, articulação, formação, comunicação, cultura, segurança alimentar e hídrica e geração de renda. Os grupos, coletivos e organizações apoiados irão desenvolver ações de defesa de direitos e fortalecimento dos seus territórios no bioma Pampa, como é o caso da Associação Eco Pelo Clima, de Porto Alegre (RS), como explica Alessandra Pipa: “Nosso projeto é para o fortalecimento e articulação de pautas socioambientais das juventudes. Então a gente vai realizar diferentes encontros em diferentes cidades da campanha gaúcha do Rio Grande do Sul e fazer essa articulação das juventudes do interior com a metrópole urbana também.“
O Programa de Pequenos Projetos da FLD apoia iniciativas coletivas que promovem transformação social em diferentes territórios do país, fortalecendo o protagonismo de grupos e organizações da sociedade civil por meio de apoio financeiro, assessoria e formação.






