Formações em educação antirracista avançam em municípios de Rondônia

Formações em educação antirracista avançam em municípios de Rondônia
Formação realizada em São Francisco do Guaporé (RO). Foto: Arquivo FLD

Entre os dias 22 e 30 de setembro, 310 profissionais da educação de quatro municípios do Vale do Guaporé, em Rondônia, participaram de novas oficinas de formação em educação antirracista. As atividades aconteceram em São Miguel do Guaporé, Costa Marques, Seringueiras e São Francisco do Guaporé e integram o processo formativo desenvolvido pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD) por meio do Programa de Educação Antirracista.

As oficinas fazem parte do projeto “Defesa dos direitos constitucionais de povos indígenas”, que tem entre seus objetivos fortalecer a adoção de uma postura antirracista pelas escolas públicas. A proposta é contribuir para que a educação das relações étnico-raciais esteja presente no cotidiano escolar, dialogando com as realidades, histórias e conhecimentos dos territórios.

As atividades deram continuidade ao processo iniciado ao longo do projeto e às formações realizadas em fevereiro deste ano. Naquela etapa, profissionais da educação participaram de encontros em Seringueiras e São Miguel do Guaporé, com debates sobre os direitos dos povos indígenas, da população negra e de comunidades kilombolas e sobre o papel da escola no enfrentamento ao racismo e às desigualdades.

Em setembro, as oficinas aconteceram no dia 22, em São Miguel do Guaporé; nos dias 24, 28 e 29, em Costa Marques; no dia 25, em Seringueiras; e no dia 30, em São Francisco do Guaporé. Em Costa Marques, participaram profissionais das redes municipal e estadual, enquanto nos demais municípios as atividades foram realizadas junto às redes municipais de educação.

Formação que continua no território

As reflexões passaram pela história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, articuladas a temas como ancestralidade, representatividade e currículo. A proposta é valorizar saberes e culturas e reconhecer as contribuições de povos negros e indígenas na formação do Brasil, ao mesmo tempo em que se olha para os conteúdos e referências presentes no cotidiano escolar.

Para a professora Alcenir, da rede estadual de Costa Marques, discutir a educação antirracista também significa olhar para o papel da escola na construção de relações mais justas e para a preparação de educadoras e educadores diante de situações de preconceito e discriminação. “A discussão e a implementação de uma educação antirracista no ambiente escolar são fundamentais para cumprir o papel social, legal e ético da escola na construção de uma sociedade justa e equitativa.”

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Formação realizada em Costa Marques (RO). Foto: Arquivo FLD

Da reflexão para a prática

A partir dessas reflexões, as formações também abriram espaço para pensar como esses conhecimentos podem estar presentes nas práticas pedagógicas. A leitura crítica de materiais didáticos e a construção de propostas pedagógicas fazem parte desse caminho, aproximando o debate sobre educação antirracista da realidade das escolas.

Em Seringueiras, Gedeon, coordenador da Secretaria Municipal de Educação, destaca a importância de criar espaços de conversa e aprendizagem sobre o tema, especialmente diante das situações que podem aparecer no dia a dia escolar. “Formações como essa ajudam professoras e professores a perceber situações de racismo que, às vezes, passam despercebidas no cotidiano, como uma piada sobre o cabelo de uma criança ou um comentário sobre sua cor de pele. Além disso, oferecem caminhos para intervir nessas situações e trabalhar a diversidade nas histórias, nas atividades e nos materiais utilizados em sala de aula.”

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Formação realizada em Seringueiras (RO). Foto: Arquivo FLD

O último módulo das formações, que totalizam três, propõe justamente esse movimento: do discurso à ação, pensando caminhos para uma escola antirracista. As oficinas trabalham a criação de sequências didáticas e o planejamento coletivo de um calendário escolar com datas significativas, buscando transformar as reflexões sobre relações étnico-raciais em práticas que possam fazer parte do cotidiano escolar.

Em São Miguel do Guaporé, a professora Malu avalia que a formação trouxe novos conhecimentos para profissionais que ainda não haviam tido contato com esse tipo de discussão e aponta o interesse da rede em dar continuidade ao processo. “De todos assim que a gente conversou e a minha opinião sincera foi uma formação muito rica e gratificante. Acredito também que a formação contribuiu muito para as professoras e para os professores estarem mais preparados para identificar alguma situação de racismo dentro de sala, trabalhar o respeito e as diferenças e desenvolver práticas pedagógicas mais inclusivas, que incluam a todos.”

Em São Francisco do Guaporé, o professor Alcir também chama atenção para a necessidade de que a educação antirracista esteja presente durante todo o ano letivo, e não apenas em momentos específicos do calendário. “Essa pauta do antirracismo é de suma importância, mas não deve ser trabalhada somente nas datas comemorativas. É um assunto relevante que deve ser abordado constantemente no decorrer do ano letivo.”

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Formação realizada em São Miguel do Guaporé (RO). Foto: Arquivo FLD

Um processo construído nos territórios

A atuação em Rondônia vem sendo construída desde 2025, quando o Programa de Educação Antirracista da FLD iniciou a articulação com as redes públicas de ensino dos municípios envolvidos. O trabalho também envolve diálogo com diferentes realidades e sujeitos dos territórios, fortalecendo vínculos e ampliando a escuta sobre os contextos locais.

A continuidade das formações busca fortalecer esse caminho de diálogo entre educação, direitos e relações étnico-raciais. Mais do que trabalhar conteúdos de forma isolada, o processo pretende contribuir para que as escolas reconheçam e enfrentem situações de racismo e discriminação e construam práticas educativas comprometidas com o respeito às diferentes histórias, identidades e formas de vida presentes nos territórios.

Em Rondônia, a formação continuada segue como parte de um processo construído junto às escolas e às comunidades, aproximando os debates sobre educação antirracista das experiências vividas em cada território.

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Assessoria de Comunicação FLD
A Fundação Luterana de Diaconia (FLD) é uma organização da sociedade civil que defende o direito à existência com vida boa de toda a diversidade. Atua junto a grupos e comunidades promovendo e assessorando ações em agroecologia, cultura, economia solidária, justiça de gênero e étnico-racial, direitos humanos e terra e território.