FE ACT Brasil: ajuda humanitária chega a populações indígenas afetadas pelo fogo na Amazônia
Por Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Nas últimas semanas, organizações do movimento ecumênico, entre elas a CESE, estiveram presentes em comunidades indígenas da Amazônia afetadas pelos incêndios, com o objetivo de levar ajuda humanitária emergencial, através do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil). A ação foi apoiada pela Aliança ACT com o intuito de equipar brigadas indígenas de combate ao fogo, possibilitar a essas brigadas os meios para fiscalizar áreas queimadas vulneráveis a invasões, além de socorrer as famílias com alimentos e água potável.
Os primeiros povos indígenas que receberam o apoio foram os Tenharim, da Terra Indígena Tenharim Marmelo, no sul do Amazonas; e o Centro de Cultura indígena Huwã Karu Yuxibu, dos Huni Kuin, situado na Rodovia AC 90, KM 36, no ramal da Goiabeira Via História Encantada, no Acre. Os Huni Kuin são acompanhados pela Fundação Luterana de Diaconia-Conselho de Missão entre Povos Indígenas (FLD-COMIN), que também integra a Aliança ACT.
A Terra Indígena Tenharim Marmelos está localizada na divisa com o estado de Rondônia. O território tem uma área de 498 mil hectares e, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), mais de 500 indígenas vivem na área. De acordo com a reportagem da Revista Piauí, divulgada em 24 de setembro, o fogo das queimadas dos meses de agosto e setembro abrangeu quilômetros de campos amazônicos e bolsões de cerrado na floresta tropical e já é considerado o maior da história. A área destruída pelo fogo faz parte das reservas de caça e coleta do povo Tenharim, que conta com uma brigada indígena composta por 29 membros, entre os quais uma mulher, formados e coordenados pelo programa PrevFogo do Ibama.
Os Tenharim receberam o apoio da Aliança ACT para a segurança alimentar das famílias, com aquisição de alimentos e água, e para reforço da brigada indígena de combate ao fogo, com equipamentos, utensílios e combustível para deslocamentos de vigilância da área e de prevenção a novos focos de incêndio. Importante ressaltar o trabalho de prevenção que a brigada indígena realiza, que inclui a manutenção de um viveiro e distribuição de mudas para reflorestamento para todas as aldeias daquele território. A brigada tem um importante papel educativo no controle das queimadas dos roçados e atuou de forma decisiva no enfrentamento ao incêndio. Os equipamentos entregues irão facilitar muito o trabalho preventivo e de combate ao fogo, conforme as palavras de Amauri Tenharim, chefe da brigada, emocionado ao afirmar que um soprador, por exemplo, faz o trabalho de quatro homens no momento do combate. O atendimento aos Tenharim foi feito em estreita colaboração com o parceiro local da CESE, o IEB.
A segunda ajuda humanitária foi para o Centro Huwã Karu Yuxibu, do povo indígena Huni Kuin, localizado dentro de uma Área de Proteção Ambiental – APA do Igarapé São Francisco. O projeto do Centro existe desde agosto de 2015 e tem o objetivo de fortalecer a identidade cultural daquele povo, especialmente dos jovens indígenas que vão para a cidade e ficam distantes de suas terras originais. Em entrevista à Agência Pública, o cacique Mapu Huni Kuin informou que as chamas destruíram mais de 50% da área que abriga o Centro Huwã Karu Yuxibu, o qual ocupa um terreno de 10 hectares onde moram sete famílias.
[/spb_text_block] [spb_text_block animation=”none” animation_delay=”0″ simplified_controls=”yes” custom_css_percentage=”no” padding_vertical=”0″ padding_horizontal=”0″ margin_vertical=”0″ custom_css=”margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;” border_size=”0″ border_styling_global=”default” width=”1/1″ el_position=”first last”]Cinco desses dez hectares foram destruídos pelo fogo, uma área que corresponde a cinco campos de futebol. Foram queimados a maior parte do roçado, o parque de medicinas tradicionais, árvores frutíferas e madeiras de lei. Como consequência do fogo, o poço que abastecia a comunidade secou e a falta d´água foi dramática. A ajuda de ACT chegou em excelente momento, colaborando para minimizar o problema da água e da alimentação. O Centro é um espaço indígena rodeado de fazendas e chama a atenção o fato de que o fogo só aconteceu na área dos Huni Kuin. O parceiro da CESE nessa articulação local foi FLD-COMIN, que atua junto à comunidade.
Os Apurinã de Valparaíso também foram atendidos. O território deles está em processo de autodemarcação. Essa área fica próxima à cidade de Boca do Acre, no sul do Amazonas, e nela vivem 37 famílias indígenas, que tiveram seus roçados parcialmente queimados, perdendo também algumas casas. A situação naquela área é de grande tensão por causa do não reconhecimento, por parte dos fazendeiros, do direito dos Apurinã ao território. O apoio de ACT, através da CESE em parceria com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), destinou alimentos e ajuda para que as famílias possam reconstruir suas moradias.
Outros povos que serão atendidos por esta iniciativa são os Uru Eu Wau Wau, em Rondônia, e as seis brigadas indígenas do Maranhão, onde o fogo destruiu extensas áreas. O trabalho das brigadas indígenas de incêndio não para quando o incêndio termina, pois há uma atuação constante na prevenção, na educação ambiental, no controle das queimadas, na vigilância das áreas e no reflorestamento.
A CESE acompanhou de perto todo o processo de apoio a essas populações tradicionais. Sônia Mota, diretora executiva, e Mara Vanessa Dutra, assessora de projetos e formação, estiveram presentes nas visitas para prestar solidariedade e apoio às comunidades atingidas pelo fogo, vítimas de uma situação descontrolada de incêndio em toda a Amazônia que chamou a atenção de todo o mundo para o descaso com que as questões ambientais estão sendo tratadas no Brasil.
Fonte: comin.org.br / Foto: Rodrigo Viellas
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