Projeto impulsiona a transição agroecológica com produção de bioinsumos em territórios do Sul do Brasil

Projeto impulsiona a transição agroecológica com produção de bioinsumos em territórios do Sul do Brasil
Foto: Arquivo FLD

A Fundação Luterana de Diaconia (FLD), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), começa a execução de atividades para promover a estruturação produtiva de 298 Unidades Familiares de Produção Agrária (UFPAs), na adoção e aprimoramento de práticas agroecológicas e orgânicas a partir do uso de bioinsumos, através do projeto Rede CAPA de Agroecologia.

O objetivo é realizar a estruturação produtiva e transição agroecológica junto a famílias agricultoras, camponesas, kilombolas, indígenas e assentadas da reforma agrária, situadas em nove territórios rurais nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, por meio da utilização de bioinsumos, da produção de alimentos saudáveis, da organização social, da maior participação de mulheres e jovens em espaços de discussão e tomada de decisão, da formação de agentes agroecológicas e agroecológicos e da promoção do acesso a políticas públicas.

Com duração de 24 meses e participação mínima de 50% de mulheres e 20% de jovens, o projeto será desenvolvido em 45 municípios dos biomas Pampa e Mata Atlântica. Serão acompanhadas 298 unidades familiares, sendo destas 124 localizadas no estado do Paraná e 174 no estado do Rio Grande do Sul.

Produção agroecológica com autonomia

Entre as principais ações a serem desenvolvidas estão a instalação e estruturação de 47 unidades de produção de bioinsumos; 144 unidades de manejo de água, solo e quintais produtivos; 119 unidades de produção de biofertilizantes, caldas e fitopreparados; implementação de três unidades de produção de preparados homeopáticos e de 62 boticas homeopáticas; estruturação de seis unidades de produção de bioinsumos específicos para controle biológico; e a estruturação de uma unidade de produção de microrganismos isolados por fermentação sólida.

A etapa inicial do projeto nos territórios, promovendo o envolvimento dos públicos, é a elaboração participativa de 20 planos de ação com comunidades indígenas e kilombolas e 86 planos produtivos envolvendo os públicos da agricultura familiar e reforma agrária. Esses planos serão a base para a organização do conjunto de atividades a serem implementadas. Os investimentos para a estruturação produtiva já tiveram início e as práticas estão sendo desenvolvidas.

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Foto: Arquivo FLD

Construção coletiva nos territórios

O projeto foi construído em diálogo com 24 organizações do público acompanhado, organizadas em comunidades rurais, indígenas, associações kilombolas, assentamentos, cooperativas agrícolas e agroecológicas, com destaque para a inclusão de coletivos específicos de mulheres, com interesse em participar do projeto.

Todo esse processo conta com apoio direto de uma equipe de assessoria técnica que irá acompanhar a implementação das unidades, realizando ao menos 10 visitas técnicas para cada família beneficiária. Também será promovido um conjunto de atividades formativas para 298 agentes de transição agroecológica.

Atuação em rede fortalece a agroecologia

A Rede CAPA de Agroecologia assessora as famílias em processo de transição e de certificação orgânica que integram a Rede Ecovida de Agroecologia, que é a principal experiência de Sistema Participativo de Garantia (SPG) no Sul do Brasil. Atualmente, a Rede Ecovida certifica 2.848 famílias, distribuídas em 34 núcleos regionais e 436 grupos de produção e, dentre essas, o Programa CAPA de Agroecologia da FLD está no assessoramento de seis núcleos, 77 grupos e 377 famílias. Trata-se, portanto, de uma forte atuação em rede, com acúmulo de experiências e resultados que sustentam as ações do projeto.

Atua junto a conselhos, comitês, fóruns e redes que se constituem em espaços de governança territorial que possibilitam a construção coletiva de políticas públicas adaptadas às especificidades regionais, garantindo a participação ativa das comunidades nas decisões que impactam diretamente suas vidas e modos de existência. Essa atuação em rede junto a espaços de incidência é essencial para promover a resiliência dos territórios diante da emergência climática, a conservação da biodiversidade e a valorização das práticas tradicionais e dos saberes locais e será fortalecida por meio deste projeto.

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Foto: Arquivo FLD

Segurança alimentar e valorização dos quintais produtivos

 Considerando que as famílias buscam sempre melhores resultados  produtivos e autonomia na produção, o projeto irá investir na  produção de bioinsumos e na estruturação de processos integrados, que organizam e potencializam os fluxos sistêmicos com maior eficiência em cada unidade.

Serão implementados quintais produtivos agroecológicos para aumentar o autoconsumo de alimentos diversificados, levando em consideração a cultura alimentar, principalmente dos povos indígenas e comunidades kilombolas. Esses espaços, em sua maioria cultivados por mulheres, ganham novo significado quando são valorizados como áreas de geração de renda e preservação da biodiversidade. Através do cultivo de hortaliças, plantas medicinais e frutas, a criação de pequenos animais e a transformação de alimentos, muitas mulheres ampliam a geração de renda e fortalecem a autonomia nos espaços de convívio familiar e comunitário.

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Assessoria de Comunicação FLD
A Fundação Luterana de Diaconia (FLD) é uma organização da sociedade civil que defende o direito à existência com vida boa de toda a diversidade. Atua junto a grupos e comunidades promovendo e assessorando ações em agroecologia, cultura, economia solidária, justiça de gênero e étnico-racial, direitos humanos e terra e território.