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Unidades de Referência em Agrofloresta são implantadas em Mariluz e em São Miguel do Iguaçu

Unidades de Referência em Agrofloresta são implantadas em Mariluz e em São Miguel do Iguaçu
10 de novembro de 2020 Thais

Estão implantadas as três Unidades de Referência em Agrofloresta no Oeste do Paraná, pelo Projeto Rede CAPA de Agroecologia: Semeando o Bem Viver. O projeto é fruto de parceria firmada entre a Fundação Banco do Brasil (FBB) – Programa Ecoforte e a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), junto aos cinco núcleos do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA).

Duas das unidades estão localizadas em São Miguel do Iguaçu, na aldeia Ocoy, território Avá-Guarani. A outra foi implantada no município de Mariluz, no Assentamento Nossa Senhora Aparecida, onde também já está funcionando uma Unidade de Referência em Produção de Sementes.

Segundo Jhony Luchmann, da coordenação do CAPA Rondon, que tem acompanhado o trabalho na região, o objetivo dessas unidades de referência é buscar o fortalecimento e desenvolvimento da agroecologia no território, “promovendo autonomia para as famílias interessadas no acesso a sementes de milho de qualidade livres de contaminação transgênica”, ressaltou.

Unidade em Mariluz

Em Mariluz, foi feita a formação sobre agrofloresta, a apresentação do projeto à comunidade e, posteriormente, um mutirão foi organizado para a implantação no lote da agricultora Carla Gonçalves.

Daniela Calza, da equipe técnica do CAPA Rondon, explicou que a Agrofloresta terá como culturas anuais milho, quiabo, abóbora, batata doce e mandioca. Junto com elas, vão conviver árvores nativas como aroeira e canela, bem como outras plantas adubadeiras, como margaridão e mucuna.

“Eu fiquei muito interessada no projeto desde o início. A princípio eu não entendia muito sobre agrofloresta, mas tinha curiosidade e comecei a estudar. Hoje, a unidade de referência ocupa grande parte do meu tempo. Vou mexendo, plantando, cuidando, e aprendendo cada dia mais. Espero ter com ela muitos benefícios”, comenta a agricultora agroecologista Carla.

A unidade de referência em Agrofloresta do Assentamento Nossa Senhora Aparecida servirá, especialmente, a famílias que compõem o grupo da Rede Ecovida, Cuidando e Cultivando a Vida.

Trabalho coletivo na aldeia Ocoy

Nas terras Avá-Gurani, em São Miguel do Iguaçu, as duas unidades agroflorestais foram planejadas e implantadas coletivamente, envolvendo cerca de 15 famílias. Para compor a área, foram plantadas árvores frutíferas como pokan, mexerica e acerola, além de árvores nativas como araçá e pitanga. Nas entrelinhas, de culturas anuais, as famílias plantaram milho e mandioca, além de tremoço, para adubação verde.

Segundo Erison de Jesus Moreira, da equipe técnica do CAPA Rondon, que está acompanhando o trabalho na aldeia Ocoy, a expectativa é a de que a produção sirva para o autoconsumo das famílias, garantindo segurança e soberania alimentar. “E também servirá para mostrar a outras famílias do entorno da área, que não estão fazendo parte do projeto, a viabilidade  de produção agroecológica”, explicou.