O futuro não é distante. Ele é logo ali.

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O futuro não é distante. Ele é logo ali.

A catadora Débora Machado dos Santos, 36 anos, trabalha na Associação de Catadores de Materiais Recicláveis, em Rosário do Sul (RS). Ela sai de casa às 7h da manhã, busca material na prefeitura e na câmara de vereadores e faz um longo caminho até o galpão, onde fica até às 18h, na parte da triagem. Às vezes, ainda sai à noite com a carrocinha.

Débora, que tem quatro filhas e um filho (sorri quando fala sobre elas e ele), também ajudou a criar outras crianças – as afilhadas e os afilhados – já fez “de um tudo” para sustentar a família: faxinas, venda de bolos e pasteis na rua, venda de materiais recicláveis coletados de forma individual e armazenados no pátio da casa.

Os desafios são muitos, mas enfrentar o preconceito por ser mulher, negra e catadora é talvez o mais difícil. “Preciso lutar diariamente para ser aceita pela sociedade e pelas pessoas que desfazem de mim. É preciso ter cara e coragem para enfrentar essas pessoas. Mas tem muitas à minha volta que colaboram e que respeitam a gente.”

Outra questão difícil é o trabalho não ser valorizado, sabendo que dali sai o sustento da família e é fundamental para a conservação do meio ambiente. “Mas eu sei que meu trabalho é precioso, pois preserva o futuro. Às vezes, tenho impressão de que as pessoas não valorizam, por que o futuro parece muito distante. Mas é bom lembrar que ele está logo ali”.