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Encontro Estadual de Catadores mobiliza cerca de mil pessoas em Canoas (RS)

Encontro Estadual de Catadores mobiliza cerca de mil pessoas em Canoas (RS)
16 de junho de 2013 zweiarts

Cerca de mil catadoras e catadores estiveram presentes no Encontro Estadual de Catadores no Rio Grande do Sul, realizado na quinta-feira, dia 13 de junho, na cidade de Canoas (RS). “Para nós, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, o MNCR, é um momento importante para tentar unificar a luta aqui no estado, buscando fortalecer a proposta da coleta seletiva solidária nos municípios e a participação das e dos catadores na gestão de resíduos sólidos – na verdade, essa gestão deve ser feita na sua totalidade por catadores”, afirmou o representante do MNCR, Fagner Jandrey, de Santa Cruz do Sul (RS).

Outro ponto trazido pelo MNCR ao evento foi a campanha contra a incineração de resíduos sólidos. “É preciso dizer não à queima do lixo. Queremos convocar a população para aderir à campanha contra a incineração, em defesa da coleta solidária”, disse Fagner. “A sociedade precisa tomar conhecimento das implicações: a incineração não é uma alternativa de gestão de resíduos sólidos – é cara, insustentável e não faz desaparecer os resíduos, gera cinzas tóxicas, desperdiça energia e exclui um número enorme de trabalhadoras e trabalhadores da coleta seletiva do mercado de trabalho.”

Um terceiro ponto foi a denúncia de violação de Direitos Humanos em Uruguaiana (RS), onde mulheres, homens e crianças estão vivendo e trabalhando em condições absolutamente precárias, em cima do lixão do município. “Além de ceder um terreno e um galpão, pedimos para que a prefeitura adote a coleta seletiva e inclua as e os catadores no processo. Isso é urgente.”

Fagner lembrou que é “preciso contar com o apoio de todas as prefeituras e do Governo do Estado, para que seja possível concretizar a proposta da coleta seletiva e solidária, através da contratação das cooperativas dos catadores para as atividades de coleta, acabando com os lixões e negando e banindo os projetos de incineração no RS”.

“É preciso cumprir a lei”

“Está lá, governos municipais e estaduais devem dar conta de encerrar todos os lixões até 2014 e a coleta seletiva deve ser implementada em todos os municípios”, afirmou o ex-presidente Lula, presente na abertura do evento, lembrando a Lei 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e o decreto 7.404, que traça as diretrizes para a gestão de resíduos sólidos. “É lei, e é preciso cumprir a lei aprovada neste país. E com o final dos lixões, não podemos apoiar a incineração, mas precisamos garantir e valorizar o trabalho dos catadores.”

O governador Tarso Genro, ao destacar o projeto da Cadeia Binacional de Pet, desenvolvida pela Secretaria Estadual de Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe), disse que “o Estado gaúcho considera fundamental em sua política de governo garantir o direito ao trabalho e o direito à vida aos indivíduos que sobrevivem da reciclagem. Também apoiamos os catadores na preservação da coleta seletiva e não a incineração indiscriminada. Vamos organizar juntamente com a Sesampe um movimento para preservar a coleta seletiva no Rio Grande do Sul”.

O titular da Sesampe, Maurício Dziedricki, também falou na abertura, ressaltando a importância da atividade dos 9 mil recicladores e 45 mil trabalhadores indiretos que estão envolvidos na cadeia do PET. “O que a população descarta serve como ferramenta de trabalho aos catadores, além de contribuir para a produção, qualidade de vida e preservação do meio ambiente. O governo do Estado, por meio deste projeto, quer construir uma nova política econômica pautada pelo sucesso e empreendedorismo, que contribuem para a dignidade dos catadores no Estado, no país e no mundo.”

A diretora do Departamento de Incentivo e Fomento à Economia Solidária (Difesol) da Sesampe, Nelsa Fabian Nespolo, destacou a importância das cadeias produtivas do RS, em especial a Cadeia Solidária Binacional do PET. “É um projeto do governo estadual, que envolve empreendimentos de Rio Grande do Sul, Uruguai e Minas Gerais, buscando a inserção social e econômica de todos os envolvidos, por meio do trabalho e renda”, assinalou.

Boas experiências no RS

Ainda na parte da manhã, o assessor técnico da Fundação Luterana de Diaconia, Cristiano Benitez Oliveira, apresentou o projeto Cataforte, que objetiva o fortalecimento do associativismo e cooperativismo de catadores/as de materiais recicláveis em todo o Brasil. Apoiado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária/Ministério de Trabalho e Emprego, Fundação Banco do Brasil, Petrobras e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Atua no processo de capacitação dos catadores para o desenvolvimento e autogestão das organizações, promovendo a qualidade de vida dos integrantes.

Ainda, foram relatadas a experiência da Cooperativa dos Recicladores de Resíduos Orgânicos e Inorgânicos (Coopercicla), de Santa Cecília, da Cooperativa de Produção Cristo Rei (Cooperei), de São Leopoldo, da BR/Envidro, que está se instalando em Montenegro,  o projeto de instalação de uma usina de beneficiamento do plástico mole, em Canoas, no âmbito da Cadeia do PET, com participação da Central de Cooperativas do Vale dos Sinos (CoopetSinos) e o Projeto Minuano, desenvolvido pela ONG Planeta Vivo,  que promove a organização, o fortalecimento e a ampliação da rede de catadores gaúchos.

No período da tarde, ocorreram mesas temáticas. Especialistas em gestão pública e gestores municipais abordaram a coleta seletiva e falaram sobre os contratos efetivados pelas prefeituras. Os palestrantes expuseram o resultado obtido com as contratações e como o recolhimento de resíduos é realizado pelas cooperativas, os impactos, as conquistas e os desafios. Representantes de órgãos federais e do Estado participaram da mesa de discussão que tratou das ações de qualificação e logística, por meio de parcerias, com cooperativas e prefeituras municipais. O encontro teve a participação de mais de mil pessoas, entre catadores de associações e cooperativas e gestores municipais e de órgãos estaduais e federais. O evento teve no encerramento a participação do secretário Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho, Roberto Marinho. O evento contou com o patrocínio do BANRISUL.

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