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Entidades ecumênicas pedem suspensão de ação de despejo dos Guarani Kaiowá no MS

Entidades ecumênicas pedem suspensão de ação de despejo dos Guarani Kaiowá no MS
21 de outubro de 2015 zweiarts

As entidades ecumênicas e os organismos abaixo subscritos vêm a público denunciar a omissão e a conivência do Poder Executivo, assim como a parcialidade do Poder Judiciário ao decretar reintegração de posse e fornecer aparato policial e militar para a ação de  despejo dos povos Guarani Kaiowá dos tekohá Ñande Ru Marangatu (município de Antônio João) e Guayviry (município de Aral Moreira), no estado do Mato Grosso do Sul.

Ao ordenar a reintegração de posse em desfavor dos referidos povos indígenas de áreas já homologadas, prevista para os dias 21 e 23 de outubro, as autoridades, mais uma vez, se colocam a serviço dos latifundiários e do agronegócio da região, e exaltam o direito de propriedade em detrimento do direito à vida destas comunidades. 

Com isso, legitimam a continuidade do genocídio dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul. Nestas duas comunidades houve, pelo menos, quatro assassinatos de lideranças indígenas diretamente relacionados à luta pela terra, travada há mais de 30 anos na região:

  • Marçal de Souza, assassinado em 1983
  • Durvalino Rocha, assassinado em 2005
  • Nizio Gomes, assassinado em 2011
  • Simião Vilhalva, assassinado em agosto de 2015, quando tentava proteger seu filho de quatro anos de ataques perpetrados covardemente por fazendeiros.

Tememos que o cumprimento desta ordem judicial leve a mais ataques e mortes de indígenas, a exemplo do que houve em Buriti, quando Oziel Gabriel, do povo Terena, foi assassinado pela polícia, em 2013. O fato mostrou flagrante despreparo das forças de segurança, que violaram manuais que orientam o cumprimento destes tipos de ação. As autoridades deveriam atentar para sua responsabilidade frente a outras consequências que poderão advir das hostilidades, violências e humilhações que estão sendo impostas aos Guarani Kaiowá e outras etnias da região.

Conclamamos as instâncias superiores do poder judiciário a corrigir esta parcialidade mortífera, revogando estas liminares de reintegração de posse, primando pelo diálogo e pela justiça constitucional para os povos indígenas destas comunidades que aguardam há décadas o cumprimento da Constituição Cidadã em defesa de suas vidas.

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC
Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
Conselho Latino Americano de Igrejas/Brasil – CLAI Brasil
Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço
Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – CEBI
Rede Ecumênica da Juventude – REJU
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Diaconia
Plataforma de Ação e Diálogo – PAD
Aliança de Batistas do Brasil
Fundação Luterana de Diaconia – FLD
Igreja Presbiteriana Unida – IPU
Caritas Brasileira
Pão Para o Mundo – PPM (Alemanha)
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB 

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