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Indígena Uru Eu Wau Wau é assassinado em Rondônia

Indígena Uru Eu Wau Wau é assassinado em Rondônia
22 de abril de 2020 Thais

O Conselho de Missão Entre Povos Indígenas-Fundação Luterana de Diaconia (COMIN-FLD) soma-se às diversas notas de solidariedade ao povo Uru Eu Wau Wau pela morte de seu querido professor Ari Uru Eu Wau Wau, 34 anos, encontrado morto na manhã deste sábado, dia 18 de abril de 2020, em uma das linhas de acesso à sua aldeia, Linha 621, em Tarilândia, distrito de Jaru/RO. O povo Uru Eu Wau Wau é considerado de recente contato e, na década de 1980, quase foi dizimado por conta de invasão de sua terras. Sua população atual é de pouco mais de 100 pessoas.

Segundo informações veiculadas na imprensa no dia de hoje, a Polícia Civil confirma que a vítima sofreu quatro golpes de um objeto contundente, com lesão nos vasos do pescoço, o que levou a uma hemorragia aguda.

O professor Ari era integrante do grupo de vigilância de seu povo que fiscalizava seu território, denunciava as invasões e exigia que os órgãos competentes fizessem a fiscalização para por fim às invasões de madeireiras e madeireiros, loteamentos e vendas de lotes dentro desta Terra Indígena. Em vários momentos, denunciou que estavam sendo ameaçadas e ameaçados de morte.

Neste contexto de invasões e de ameaças de morte, é impossível não pensar que essa morte possa ter ligação a essas invasões e ameaças. Por ter a possibilidade de estar ligado a conflitos agrários nesta Terra Indígena, se faz urgente que a Polícia Federal faça as investigações e que o Ministério Público Federal acompanhe-as desde o seu início. Espera-se que a ou as pessoas assassinas sejam logo descobertas e que tenham prisão preventiva decretada de imediato. A família de Ari, todo o povo Uru Eu Wau Wau, todos os povos indígenas e suas organizações e a sociedade brasileira precisam que os fatos sejam esclarecidos e que seja feita justiça.

Por fim, aguardamos que a fiscalização na Terra Indígena Uru Eu Wau Wau seja imediatamente retomada, assim como nas Terras Karipuna, Igarapé Lourdes e tantas outras invadidas por madeireiras e madeireiros e garimpeiras e garimpeiros.

Nesse contexto de Semana dos Povos Indígenas, lamentamos que os povos indígenas ainda não têm o que comemorar. Nos unimos a eles na dor e na Resistência.

Foto: Reprodução/Kanindé

Fonte: COMIN