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Ato inter-religioso e ecumênico marca um mês do brutal assassinato de José Alberto Freitas

Ato inter-religioso e ecumênico marca um mês do brutal assassinato de José Alberto Freitas
17 de dezembro de 2020 Thais

Minha Fé é Antirracista – Em defesa das Vidas Negras

Justiça por Beto, por Jane, por todas as vidas negras!
20 de Dezembro de 2020 – Transmissão do ato inter-religioso e ecumênico, ao vivo, às 11hs; e retransmissão do ato presencial em frente ao Carrefour Passo D’areia, de Porto Alegre (RS), às 15h.
Acompanhe nas redes da Coalizão Negra por Direitos ou nas páginas das entidades que organizam o evento: facebook.com/coalizaonegra

Neste domingo, 20 de dezembro, organizações do movimento negro, religiosas e de direitos humanos realizam o ato inter-religioso e ecumênico Minha Fé é Antirracista – em Defesa de Todas as Vidas Negras. A data marca um mês do brutal assassinato de José Alberto Freitas e retoma o chamado feito pelo movimento social negro, no dia 20 de novembro, para que o compromisso antirracista real e concreto não seja reativado apenas quando uma pessoa negra é vítima de um resultado nefasto do racismo: a eliminação de sua vida.

O clamor por justiça para João Alberto é também um clamor pela manutenção da vida de crianças, jovens, homens e mulheres negras. Um clamor histórico das vozes dos movimentos sociais negros que, em junho deste ano, culminou na publicação do Manifesto: “Enquanto houver RACISMO, não haverá DEMOCRACIA”. O documento político, articulado pela Coalizão Negra por Direitos, exige o comprometimento da sociedade brasileira com o fim do processo contínuo de genocídio da população negra.

As organizações articuladas na mobilização deste ato compreendem que o ocorrido no dia 19 de novembro de 2020 não pode ser esquecido. As imagens devastadoras do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, em um supermercado da rede Carrefour, na cidade de Porto Alegre (RS), não podem servir apenas para uma comoção pontual e episódica. Elas devem ser lembradas como a face mais concreto do processo de desumanização da população negra brasileira, um cenário para o qual precisamos dizer BASTA!

Também entendemos que este sonoro e rotundo BASTA deve ser enunciado não apenas pelos homens e mulheres negras que foram diretamente atingidos pelo trauma causado pela morte torpe, cruel e desumana de João Alberto. Esta indignação não pode ser assistida do conforto do privilégio racial branco, onde pais, mães e avós de pessoas não-negras não precisam se preocupar quando suas filhas, filhos, netas, netos e entes queridos vão a um supermercado ou saem para cumprir suas atividades cotidianas. É necessário que a continuidade da lógica brutal de eliminação de corpos negros, do fazer morrer e deixar matar pessoas negras, como ocorreu com Beto, gere uma crise moral e ética que leve ao enfrentamento do racismo estrutural.

Hoje as organizações que convocam o ato Minha Fé É Antirracista entendem que passa da hora de romper um silêncio que é cúmplice e vergonhoso.  É preciso que nos somemos às articulações do movimento social negro, como a Coalizão Negra por Direitos, e exijamos de conjunto a concretude de posturas antirracistas em cada canto do Brasil.

Neste dia 20 de dezembro, entidades religiosas de diferentes credos e organizações de direitos humanos de todo o Brasil, convocam fiéis e cidadãos brasileiros comprometidos com a Justiça social, para que manifestem sua indignação frente ao genocídio da população negra. Também chamamos a sociedade brasileira a acompanhar as vozes do ativismo social negro em Porto Alegre que, junto aos entes queridos e amigos de João Alberto, irá manifestar sua inconformidade e indignação em frente ao Carrefour Passo D`Areia às 15 horas, no mesmo dia.

Participarão destas mobilizações: familiares de João Alberto Silveira Freitas, lideranças do movimento negro de Porto Alegre e representantes de entidades com atuação em âmbito nacional. Em forte demonstração de solidariedade, a celebração contará ainda com as lideranças religiosas, como a pastora Luterana Cibele Kuss, representando o Fórum Inter-religioso e Ecumênico pela Democracia/RS; Bàbá Diba de Iyemonjá, representando o Conselho do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul; Ìyá Sandrali de Oxum, representando Mulheres de Axé da Rede Nacional de Religiões Afro brasileiras e Saúde; bispo Dom Zanoni Demettino Castro, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Monja Coen, representando a Comunidade Zen Budista; rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista (CIP); e Sheikh Mohamad Al Bukai, da União Nacional Islâmica.

A transmissão será nas mídias da Coalizão Negra por Direitos com retransmissão nas redes sociais das entidades que organizam este evento.

O ato Minha Fé é Antirracista marca o início de uma mobilização permanente (com encontros mensais), envolvendo diferentes setores da sociedade brasileira na construção de outra celebração, em 21 de março de 2021, Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial.

Convocam o ato:
Artigo 19
Cenarab – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira
CIP – Congregação Israelita Paulista
CNBB – Conferência Nacional do Bispos do Brasil/Pastoral Afro Brasileira
Coalizão Negra por Direitos
Comissão Arns
Conectas Direitos Humanos
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Conselho do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul
FIRE – Fórum Inter-religioso e Ecumênico do RS
FLD – Fundação Luterana de Diaconia
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
IBD – Instituto Brasileiro de Diversidade
IDAFRO – Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras
Iser – Instituto de Estudos da Religião
MNU – Movimento Negro Unificado
Mulheres de Axé da Renafro
Renafro – Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde
Themis – Gênero, Justiça, Direitos Humanos
UNI – União Nacional Islâmica
Zendo Brasil – Comunidade Zen Budista