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Nota do CONIC sobre os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips

Nota do CONIC sobre os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips
16 de junho de 2022 Thais

Juntamos nossa voz de tristeza e de repúdio às vozes de todos os movimentos indígenas, dos povos das florestas, de movimentos de direitos humanos e a de todas as pessoas que, apesar do cenário atual no Brasil, ainda não perderam sua humanidade e se solidarizam com os sofrimentos das famílias de Bruno Pereira e Dom Phillips.

A atrocidade revelada pelos assassinatos de Bruno e de Dom desvela o que comunidades indígenas há muito denunciam: o processo permanente e constante de eliminação destes povos e daqueles que os defendem. Inicialmente, sentimos angústia pela falta de respostas sobre o que havia acontecido a Bruno e Dom. Agora, a angústia se transformou em doloroso luto. A mesma angústia e luto sentimos frente ao silêncio e inatividade tanto do Estado, quanto do governo, às reivindicações indígenas por território e direito à sua forma de existência.

As mortes de Bruno e Dom, o genocídio indígena, a destruição das florestas, a não definição em relação ao Marco Temporal são expressões de nossa degradação como civilização. De Chico Mendes até hoje, o Brasil mudou pouco ou nada, e continua sendo o país da barbárie, onde grileiros e congêneres seguem impondo uma realidade de morte e perseguição àqueles e àquelas que ousam desafiá-los.

Neste dia 16 de junho, muitas comunidades celebram o Corpus Christi. É um dia em que nossos irmãos e irmãs católicos romanos relembram o sacramento do sangue e do corpo de Jesus.

Para a tradição cristã, o sacramento está diretamente relacionado com a graça da vida e a possibilidade de reconciliação de Deus conosco. Inevitavelmente, a confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi, que tanto nos encantam, estará marcada de profunda dor. Ao admirarmos a beleza, a diversidade e a criatividade dos tapetes, seremos levados a nos confrontar com a feiura da atual política de governo que, por sua indiferença, inoperância e insensibilidade desumanizantes, corroboram para que desfechos como o ocorrido com Bruno e Dom sejam cada vez mais frequentes – vide as declarações insensíveis e fora de qualquer lógica do chefe de Estado brasileiro.

Repudiamos, com veemência, todas essas declarações que pretendiam difamar Bruno e Dom, tentando transferir para eles responsabilidades que cabem ao Estado e ao Governo.

Às famílias de Bruno e de Dom, e às comunidades indígenas do Vale do Javari, nosso abraço e respeito.

Conclamamos aos nossos parceiros ecumênicos nacionais e internacionais que reforcem as pressões sobre o Estado para que medidas sejam tomadas no sentido de garantir proteção de todos os povos indígenas, em especial, dos povos indígenas do Vale do Javari. Da mesma forma, pedimos que a elucidação desses crimes não se esgote com a prisão dos executores, mas que se chegue aos verdadeiros mandantes – causa, e não efeito, dessas execuções.

CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

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